Pneumonia Comunitária: Quando Internar e Como Tratar

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 78 anos refere febre, com temperatura máxima de 38,5 ºC e tosse há 3 dias. Há 1 dia, apresenta dispneia. Ao exame físico, apresenta-se consciente, orientado, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência respiratória de 24 irpm, saturação periférica de oxigênio de 88% em ar ambiente, ausculta respiratória com crepitações finas em hemitórax esquerdo.O tratamento deve ser

Alternativas

  1. A) ambulatorial com macrolideo.
  2. B) ambulatorial com beta-lactâmicos e macrolídeos.
  3. C) hospitalar com quinolona e macrolídeos.
  4. D) hospitalar com cefalosporina de 3a geração e macrolídeo.
  5. E) hospitalar com beta-lactâmicos e quinolona.

Pérola Clínica

PAC com hipoxemia (SatO2 < 92%) → Internação hospitalar + Ceftriaxona + Azitromicina.

Resumo-Chave

A decisão de hospitalizar um paciente com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) vai além do escore CURB-65. A presença de hipoxemia (SatO2 < 92%) é um critério de gravidade independente que indica a necessidade de internação e oxigenoterapia.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar em um paciente que não esteve hospitalizado recentemente. A primeira decisão crítica no manejo é definir o local do tratamento: ambulatorial, enfermaria ou UTI. Essa decisão é baseada na estratificação de risco do paciente, utilizando escores de gravidade como o CURB-65 ou o PSI (Pneumonia Severity Index). O escore CURB-65 avalia cinco variáveis: Confusão mental, Ureia > 43 mg/dL, Frequência respiratória ≥ 30 irpm, Pressão arterial (Blood pressure) sistólica < 90 ou diastólica ≤ 60 mmHg, e Idade ≥ 65 anos. No entanto, a avaliação clínica é soberana, e a presença de critérios de gravidade como a hipoxemia (saturação de O2 < 92% em ar ambiente) indica a necessidade de internação, independentemente da pontuação no escore. Para pacientes internados em enfermaria, o tratamento padrão recomendado pelas principais diretrizes consiste na terapia combinada de um beta-lactâmico (como uma cefalosporina de 3ª geração, ex: ceftriaxona) associado a um macrolídeo (ex: azitromicina). Essa combinação garante a cobertura dos principais patógenos típicos (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella spp.). A monoterapia com uma quinolona respiratória (ex: levofloxacino) é uma alternativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para internação de um paciente com pneumonia?

Os critérios podem ser avaliados por escores como o CURB-65 (Confusão, Ureia > 43, FR ≥ 30, PA < 90x60, Idade ≥ 65) ou o PSI. Critérios maiores, como choque séptico ou insuficiência respiratória com necessidade de ventilação, ou menores, como hipoxemia (SatO2 < 92%), indicam necessidade de internação.

Por que se associa um macrolídeo ao beta-lactâmico no tratamento da PAC hospitalar?

A associação visa cobrir os patógenos atípicos (como Legionella, Mycoplasma, Chlamydophila), que não são cobertos adequadamente pelos beta-lactâmicos. Além disso, os macrolídeos possuem efeito imunomodulador que pode ser benéfico.

Qual a diferença de tratamento para PAC em enfermaria vs. UTI?

Na enfermaria, o esquema padrão é beta-lactâmico (ceftriaxona) + macrolídeo (azitromicina) ou monoterapia com quinolona respiratória. Na UTI, o esquema é sempre combinado (beta-lactâmico + macrolídeo ou beta-lactâmico + quinolona), e deve-se considerar a cobertura para Pseudomonas se houver fatores de risco.

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