Pneumonia Adquirida na Comunidade: Manejo Ambulatorial

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 48 anos, sem comorbidades conhecidas, procura pronto-atendimento com quadro de tosse com expectoração amarelada, febre e prostração há 3 dias. Ao exame físico: regular estado geral, frequência respiratória de 26ipm, FC = 98bpm, PA = 100/70mmHg, sat O₂ = 95% em ar ambiente, consciente e orientado, murmúrio vesicular presente com redução em região infraescapular direita, com estertores finos na região. Radiografia de tórax mostrada a seguir.Qual é a conduta mais indicada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Internação, coleta de hemocultura e cultura de escarro e início de amoxicilina+clavulanato.
  2. B) Tratamento ambulatorial com amoxicilina+clavulanato.
  3. C) Tratamento ambulatorial, coleta de hemocultura e cultura de escarro e início de levofloxacina.
  4. D) Tratamento ambulatorial com ceftriaxona.
  5. E) Internação e início de ceftriaxona, sem necessidade de coleta de culturas.

Pérola Clínica

PAC em paciente sem comorbidades e baixo CURB-65 → tratamento ambulatorial com amoxicilina-clavulanato.

Resumo-Chave

A estratificação de risco para Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é crucial para definir o local de tratamento. O escore CURB-65 auxilia nessa decisão. Pacientes com baixo risco (CURB-65 0-1), sem comorbidades e com boa saturação de oxigênio, podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos de espectro adequado, como amoxicilina-clavulanato.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção respiratória aguda comum e uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo. Para residentes, o manejo da PAC envolve a correta estratificação de risco para determinar o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a escolha da antibioticoterapia empírica. A epidemiologia da PAC varia, mas os principais agentes etiológicos incluem Streptococcus pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae e vírus respiratórios. O diagnóstico da PAC é clínico e radiológico. A estratificação de risco é fundamental e pode ser realizada por ferramentas como o escore CURB-65 (Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial, Idade ≥ 65 anos) ou o PSI (Pneumonia Severity Index). No caso apresentado, o paciente tem 48 anos, sem comorbidades, FR 26, PA 100/70, sem confusão, o que resulta em um CURB-65 de 0 ou 1 (dependendo da ureia, que não foi informada, mas a PA não é tão baixa para pontuar). Isso indica baixo risco e possibilidade de tratamento ambulatorial. O tratamento da PAC ambulatorial para pacientes sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos geralmente envolve amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato. A levofloxacina e a ceftriaxona são antibióticos de espectro mais amplo, geralmente reservados para pacientes com maior risco, comorbidades, ou que necessitam de internação. A coleta de culturas não é rotineira para pacientes ambulatoriais. O prognóstico da PAC é geralmente bom com tratamento adequado, mas a adesão e a reavaliação são importantes.

Perguntas Frequentes

Como o escore CURB-65 é utilizado na avaliação da PAC?

O escore CURB-65 avalia Confusão, Ureia > 7 mmol/L, Frequência Respiratória ≥ 30 ipm, Pressão Arterial (sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg) e idade ≥ 65 anos. Cada critério vale 1 ponto. Um escore de 0-1 geralmente indica tratamento ambulatorial, 2 internação e ≥ 3 internação em UTI.

Quais antibióticos são recomendados para PAC em tratamento ambulatorial?

Para pacientes ambulatoriais sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos, a amoxicilina é a primeira escolha. Em regiões com alta resistência ou para pacientes com comorbidades, amoxicilina-clavulanato ou macrolídeos (azitromicina) podem ser considerados.

Quando a coleta de culturas (hemocultura, escarro) é indicada na PAC?

A coleta de hemoculturas e cultura de escarro não é recomendada de rotina para pacientes com PAC leve a moderada tratados ambulatorialmente. É indicada para pacientes internados, especialmente em UTI, com doença grave, falha terapêutica ou fatores de risco para patógenos específicos.

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