Pneumonia Adquirida na Comunidade: Manejo Ambulatorial

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Marta tem 39 anos e há 5 dias iniciou quadro de febre alta, associada a dor em hemitórax direito e tosse produtiva. Ao exame físico encontra-se consciente e orientada no tempo e no espaço. Apresenta frêmito toracovocal aumentado em base direita e ausculta de crepitações finas em terço inferior de hemitórax direito. FC 85 bpm. FR 19 irpm. Pressão arterial 110x80 mmHg e SpO2 96% a.a. Radiografia de tórax evidenciando opacidades acinares em lobo inferior direito com presença de broncograma aéreo. Paciente sem comorbidades clínicas conhecidas. Laboratório: Ureia 22, Leucócitos 16563 com 85% de segmentados. Qual a conduta mais apropriada para o caso?

Alternativas

  1. A) Solicito hemocultura em 2 sítios, início fase rápida com cristalóide, início antibioticoterapia de amplo espectro enquanto aguardo resultado de hemocultura.
  2. B) Início empiricamente tratamento para tuberculose pulmonar com esquema básico de acordo com o peso e solicito exame de escarro para posterior confirmação diagnóstica.
  3. C) Início betalactâmico oral para tratamento ambulatorial, orientando a procurar novamente atendimento médico caso a febre não ceda em até 72 horas.
  4. D) Solicito internação hospitalar, prescrevo quinolona respiratória endovenosa associada a corticoide oral.

Pérola Clínica

PAC leve (CURB-65 0-1) em paciente jovem sem comorbidades → tratamento ambulatorial com betalactâmico oral.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro clínico e radiológico típico de Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC). Com base nos critérios de gravidade (CURB-65 ou PORT/PSI), ela tem baixo risco, sem comorbidades e sinais vitais estáveis, indicando tratamento ambulatorial com antibiótico oral, como um betalactâmico.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar que se desenvolve fora do ambiente hospitalar ou até 48 horas após a admissão. É uma condição comum e potencialmente grave, sendo uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo. A epidemiologia da PAC varia com a idade e a presença de comorbidades, mas afeta todas as faixas etárias. O reconhecimento precoce e a estratificação de risco são cruciais para um manejo adequado. O diagnóstico da PAC é baseado na apresentação clínica (febre, tosse, dispneia, dor pleurítica) e na presença de um infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax. A fisiopatologia envolve a inalação ou aspiração de microrganismos que colonizam a orofaringe, superando as defesas do hospedeiro. A avaliação da gravidade é fundamental para decidir o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a escolha do regime antibiótico. Escores como CURB-65 ou PORT/PSI são ferramentas validadas para essa estratificação de risco. No caso apresentado, a paciente Marta, de 39 anos, sem comorbidades e com sinais vitais estáveis, apresenta um CURB-65 de 0 (nenhum critério presente), indicando baixo risco de mortalidade. Para pacientes com PAC de baixo risco, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais é a conduta mais apropriada. Betalactâmicos orais (como amoxicilina) são a primeira escolha para pacientes sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos. É essencial orientar o paciente sobre os sinais de alerta para retorno ao serviço médico, como piora da febre ou dispneia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de Pneumonia Adquirida na Comunidade?

O diagnóstico é clínico (febre, tosse, dispneia, dor torácica) e radiológico (infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax), associado à ausência de hospitalização recente.

Como avaliar a gravidade da PAC e decidir sobre a internação?

Escores como CURB-65 (Confusão, Ureia > 7 mmol/L, Frequência Respiratória > 30 irpm, Pressão Arterial < 90/60 mmHg, Idade > 65 anos) ou PORT/PSI são usados. Um CURB-65 de 0-1 geralmente indica tratamento ambulatorial.

Qual o tratamento empírico inicial para PAC ambulatorial em pacientes sem comorbidades?

Em pacientes sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos, um betalactâmico oral (ex: amoxicilina) ou um macrolídeo (ex: azitromicina) são as opções de primeira linha.

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