Pneumonia Adquirida na Comunidade: Diagnóstico e Conduta

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Homem, 19 anos de idade, apresenta tosse com expectoração amarela, sem sangue, há 3 dias, acompanhada de dor torácica posterior direita e febre de 38,5C. Nega falta de ar, doenças associadas, tabagismo, etilismo ou viagens recentes. Exame físico: FR 16 irpm, Sat O₂ 97% ar ambiente, FC 95 bpm, PA 120x80 mmHg; estertores crepitantes finos na base posterior do pulmão direito; restante sem alterações. Radiografia de tórax: consolidação segmentar em lobo inferior direito. Quais são o diagnóstico e a conduta mais adequados?

Alternativas

  1. A) Pneumonia adquirida na comunidade; tratamento em enfermaria (CURB-65 = 0); ceftriaxone e claritromicina; controle clínico em 48-72 horas e clínico e radiológico no final do tratamento.
  2. B) Pneumonia adquirida na comunidade; tratamento ambulatorial (CURB-65 = 0); macrolídeo ou betalactâmico, (amoxicilina ou amoxicilina + clavulanato); controle clínico em 48-72 horas e clínico e radiológico no final do tratamento.
  3. C) Pneumonia adquirida na comunidade; tratamento ambulatorial (CURB-65 = 3); quinolona respiratória; controle clínico em 48-72 horas e clínico e radiológico no final do tratamento.
  4. D) Pneumonia adquirida na comunidade; tratamento em enfermaria (CURB-65 = 2); ceftriaxone e claritromicina; controle clínico e radiológico 48-72 horas e clínico e radiológico no final do tratamento.
  5. E) Pneumonia adquirida na comunidade; tratamento em UTI (CURB-65 = 4); ceftriaxone e quinolona respiratória; controle clínico e radiológico 24 horas e clínico e radiológico no final do tratamento.

Pérola Clínica

PAC em jovem sem comorbidades e CURB-65=0 → tratamento ambulatorial com macrolídeo ou betalactâmico.

Resumo-Chave

A avaliação da gravidade da Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é crucial para definir o local de tratamento. O escore CURB-65, com 0 pontos, indica baixo risco e permite tratamento ambulatorial. A escolha do antibiótico empírico para pacientes sem comorbidades inclui macrolídeos ou betalactâmicos como amoxicilina.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar aguda que representa um desafio diagnóstico e terapêutico comum na prática médica. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (tosse, febre, dor torácica, dispneia) e na presença de infiltrado novo na radiografia de tórax. A avaliação da gravidade é fundamental para determinar o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a escolha da antibioticoterapia. Ferramentas como o escore CURB-65 (Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial, Idade > 65 anos) são amplamente utilizadas para estratificar o risco. No caso apresentado, o paciente é jovem, sem comorbidades e com CURB-65 igual a 0, indicando baixo risco de mortalidade. Para esses pacientes, o tratamento ambulatorial é a conduta mais adequada. A antibioticoterapia empírica de primeira linha para PAC em pacientes ambulatoriais sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos inclui macrolídeos (como azitromicina ou claritromicina) ou betalactâmicos (como amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato). A escolha deve considerar o perfil epidemiológico local e a tolerância do paciente. O acompanhamento clínico é essencial, com reavaliação em 48-72 horas para verificar a resposta ao tratamento. O controle radiológico não é rotineiramente indicado para todos os pacientes com PAC, mas pode ser considerado em casos de falha terapêutica, suspeita de complicação ou em pacientes com fatores de risco para neoplasia pulmonar. Para residentes, a correta aplicação do CURB-65 e a escolha racional do antibiótico são pilares para um manejo eficaz da PAC, evitando internações desnecessárias e o uso inadequado de antimicrobianos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore CURB-65 para PAC?

O escore CURB-65 avalia Confusão, Ureia (>7 mmol/L), Frequência Respiratória (≥30 irpm), Pressão Arterial (PAS <90 mmHg ou PAD ≤60 mmHg) e Idade (≥65 anos). Cada critério presente soma 1 ponto, auxiliando na estratificação de risco e decisão do local de tratamento.

Qual a antibioticoterapia inicial para PAC ambulatorial em jovens?

Para pacientes jovens, sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos, a antibioticoterapia inicial para PAC ambulatorial pode ser um macrolídeo (como azitromicina) ou um betalactâmico (como amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato).

Quando é indicado o controle radiológico após tratamento de PAC?

O controle radiológico não é rotineiramente indicado para todos os pacientes com PAC. É considerado em casos de falha terapêutica, suspeita de complicação (ex: derrame pleural, abscesso) ou em pacientes com fatores de risco para neoplasia pulmonar subjacente.

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