PAC: Critérios de Internação e Gravidade

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025

Enunciado

Homem, 67 anos de idade, comparece à UPA com queixa de febre associada à tosse produtiva, há 3 dias, com expectoração amarelada e dispneia progressiva. Relata calafrios e dor pleurítica no hemitórax direito. É ex-tabagista (40 anos-maço) e possui hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana 100mg/dia. Ao exame físico, apresenta-se com FR: 28irpm, crepitações e macicez à percussão no hemitórax direito. SatO2: 88%. Exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda e PCR: 150mg/L. Radiografia de tórax evidencia consolidação no lobo inferior direito.Em relação à necessidade de internação desse paciente, pode-se afirmar:

Alternativas

  1. A) Os dados clínicos fornecidos são insuficientes para indicar internação hospitalar.
  2. B) A internação está indicada, embora faltem dados para definir a necessidade de terapia intensiva.
  3. C) Segundo o CURB-65, esse paciente teria indicação de internação em terapia intensiva.
  4. D) A internação está indicada em Unidade de Terapia Intensiva devido à hipoxemia.

Pérola Clínica

PAC com hipoxemia (SatO2 < 90%) ou FR > 30 irpm → internação hospitalar.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de gravidade como hipoxemia (SatO2 88%) e FR elevada (28 irpm), além de idade avançada e comorbidades, indicando a necessidade de internação hospitalar. Embora o CURB-65 ajude a estratificar, a hipoxemia por si só já é um critério de internação e pode indicar necessidade de UTI, mas não é o único critério para UTI.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar aguda que representa uma causa significativa de morbidade e mortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. A avaliação inicial da gravidade é crucial para determinar o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e otimizar o prognóstico. A estratificação de risco visa identificar pacientes com maior risco de complicações e óbito. O diagnóstico da PAC é clínico-radiológico, com sintomas como febre, tosse produtiva, dispneia e dor pleurítica, associados a um infiltrado novo na radiografia de tórax. Ferramentas como o CURB-65 (Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial, Idade > 65 anos) e o PSI (Pneumonia Severity Index) são amplamente utilizadas para auxiliar na decisão de internação. A hipoxemia, definida como SatO2 < 90%, é um sinal de gravidade que por si só já indica internação hospitalar. A conduta terapêutica da PAC envolve antibioticoterapia empírica, suporte ventilatório quando necessário e tratamento das comorbidades. A decisão de internação em UTI é baseada em critérios mais rigorosos, como a presença de choque séptico, necessidade de ventilação mecânica invasiva (critérios maiores) ou a combinação de múltiplos critérios menores, como hipoxemia grave, infiltrados multilobares e leucopenia. O caso apresentado, com hipoxemia e FR elevada, claramente indica internação hospitalar, mas não necessariamente em UTI sem outros critérios maiores ou mais critérios menores.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para internação hospitalar na PAC?

Os principais critérios incluem idade > 65 anos, comorbidades, hipoxemia (SatO2 < 90%), FR > 30 irpm, hipotensão, confusão mental, infiltrado multilobar ou derrame pleural.

Como o escore CURB-65 é utilizado na avaliação da PAC?

O CURB-65 avalia Confusão, Ureia > 7 mmol/L, FR > 30 irpm, PA sistólica < 90 mmHg ou diastólica < 60 mmHg, e idade > 65 anos. Pontuações de 0-1 geralmente indicam tratamento ambulatorial, 2 internação hospitalar e ≥3 internação em UTI.

Quando a hipoxemia indica internação em UTI na pneumonia?

A hipoxemia grave (PaO2/FiO2 < 250 ou SatO2 < 90% com FiO2 > 0,5) é um critério menor para UTI. A presença de um critério maior (necessidade de ventilação mecânica invasiva ou choque séptico com vasopressor) ou 3 ou mais critérios menores indica UTI.

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