INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem com 70 anos é trazido pela filha a uma consulta com um médico de família e comunidade, queixando-se de tosse produtiva há 6 dias, associada à febre de 38 °C há 3 dias, com melhora após uso de dipirona. Relata dispneia aos esforços e dor em hemitórax direito quando tosse. Nega calafrios, inapetência ou outros sintomas associados. Tem histórico de hipertensão arterial e está em uso de losartana 50 mg de 12 em 12 horas. Além disso, tem diabetes mellitus e está em uso de metformina 850 mg de 12 em 12 horas. Nega outras comorbidades bem como tabagismo e etilismo, uso recente de antibióticos, alergia a medicamentos e internações prévias.Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, hidratado e corado, consciente e orientado, com frequência cardíaca de 83 bpm, pressão arterial de 110 x 80 mmHg, frequência respiratória de 20 irpm e saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente. À ausculta cardíaca, nota-se ritmo regular em 2 tempos, sem sopros e, à ausculta respiratória, murmúrio vesicular presente bilateralmente, com presença de estertores crepitantes em base direita.Com base nessas informações, qual é a conduta médica a ser adotada nesse caso?
PAC em idoso com comorbidades (DM, HAS) e CURB-65 baixo (1 ponto) → tratamento ambulatorial com Amoxicilina/Clavulanato + Azitromicina.
Em pacientes idosos com pneumonia adquirida na comunidade e comorbidades como diabetes e hipertensão, mas com baixo risco de mortalidade (CURB-65 ≤ 1), o tratamento ambulatorial é seguro e eficaz. A combinação de um beta-lactâmico com inibidor de beta-lactamase e um macrolídeo é a terapia empírica de escolha para cobrir os patógenos mais comuns, incluindo atípicos.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar aguda que representa uma causa significativa de morbidade e mortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. A epidemiologia mostra que a incidência e a gravidade aumentam com a idade e a presença de doenças crônicas como diabetes mellitus e hipertensão arterial. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico rápido e uma estratificação de risco precisa para determinar o local e o tipo de tratamento. A fisiopatologia da PAC envolve a inalação ou aspiração de microrganismos que colonizam a orofaringe, levando à inflamação do parênquima pulmonar. O diagnóstico é baseado em achados clínicos (tosse, febre, dispneia, dor torácica) e radiológicos (infiltrado pulmonar). A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas respiratórios agudos e fatores de risco. A estratificação de risco, como o escore CURB-65, é fundamental para decidir se o paciente pode ser tratado ambulatorialmente ou necessita de internação. O tratamento da PAC em idosos com comorbidades e baixo risco (CURB-65 ≤ 1) é geralmente ambulatorial e empírico. A combinação de um beta-lactâmico (como amoxicilina/ácido clavulânico) e um macrolídeo (azitromicina) é uma opção eficaz, cobrindo tanto patógenos típicos quanto atípicos. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas a monitorização de sinais de piora clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco.
O CURB-65 avalia Confusão, Ureia (>7 mmol/L), Frequência Respiratória (≥30 ipm), Pressão Arterial (PAS <90 ou PAD ≤60 mmHg) e Idade (≥65 anos). Cada critério vale 1 ponto. Pontuações de 0-1 indicam tratamento ambulatorial, 2 pontos consideram internação, e ≥3 pontos indicam internação em UTI ou enfermaria de alta complexidade.
Para pacientes ambulatoriais com comorbidades (doença cardíaca, pulmonar, hepática, renal, diabetes, alcoolismo, neoplasia, asplenia) ou uso recente de antibióticos, a terapia empírica recomendada é a combinação de um beta-lactâmico (como amoxicilina/clavulanato ou cefpodoxima) com um macrolídeo (azitromicina) ou uma fluoroquinolona respiratória (levofloxacino, moxifloxacino).
Em idosos, os patógenos mais comuns incluem Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. A cobertura para esses agentes é essencial na escolha do regime antibiótico empírico.
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