Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Em um plantão em terapia intensiva, você é responsável por paciente do sexo masculino, 62 anos, com pneumonia adquirida na comunidade grave, internado em UTI. Apresenta hipotensão arterial, hipoxemia e necessidade de altas frações de oxigênio, já recebendo antibioticoterapia empírica ampla. Mantém instabilidade hemodinâmica e PCR aumentado. Pro-calcitonina aumentada. Qual a conduta sobre o uso de corticoide nesse contexto?
PAC grave + choque refratário ou hiperinflamação → considerar corticoide para modular resposta imune.
O uso de corticosteroides na pneumonia grave visa atenuar a resposta inflamatória exacerbada, sendo indicado em casos de choque séptico associado ou instabilidade hemodinâmica persistente.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) grave é uma das principais causas de admissão em UTI e morte por infecção. A fisiopatologia envolve não apenas a agressão direta do patógeno, mas uma resposta imune desregulada do hospedeiro. O uso de corticoides busca equilibrar essa resposta. Evidências recentes reforçam que, embora não seja uma conduta universal para todos os pacientes com pneumonia, o subgrupo com instabilidade hemodinâmica e marcadores inflamatórios elevados (como Procalcitonina e PCR) apresenta os melhores resultados com a terapia adjuvante.
O uso de corticosteroides, como a hidrocortisona ou metilprednisolona, em pacientes com pneumonia grave internados em UTI pode reduzir o tempo de ventilação mecânica, acelerar a estabilização hemodinâmica e, em alguns subgrupos com alta carga inflamatória, reduzir a mortalidade hospitalar. O mecanismo principal é a modulação da cascata de citocinas pró-inflamatórias que levam à falência orgânica.
As diretrizes atuais sugerem considerar o uso em pacientes com PAC grave que apresentam choque séptico refratário ao uso de vasopressores ou naqueles com evidência de resposta inflamatória sistêmica muito exacerbada (frequentemente monitorada por níveis de PCR). Não deve ser usado de rotina em casos leves ou moderados.
A hidrocortisona na dose de 200mg/dia (seja em bólus fracionados ou infusão contínua) é a escolha clássica para pacientes em choque séptico refratário. No contexto específico da pneumonia grave sem choque, estudos recentes como o CAPE COD utilizaram a hidrocortisona para reduzir desfechos graves.
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