Tratamento Empírico da Pneumonia Adquirida na Comunidade Grave

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 68 anos de idade, diabético, hipertenso e dislipidêmico dirigiu-se à emergência do pronto-socorro apresentando tosse, escarro produtivo, febre, confusão mental, hipotensão (PA 85x50 mmHg), taquipneia (FR de 26 irpm), oligúria e tempo de enchimento capilar de 4 segundos. O paciente negou internação recente ou intercorrências nos últimos meses. Com base no caso clínico hipotético apresentado, assinale a opção que apresenta o tratamento empírico adequado.

Alternativas

  1. A) Amoxicilina + clavulanato.
  2. B) Ceftriaxone + azitromicina.
  3. C) Vancomicina.
  4. D) Piperacilina + tazobactam.
  5. E) Piperacilina + tazobactam + vancomicina.

Pérola Clínica

PAC grave (instabilidade ou CURB-65 ≥ 3) → Beta-lactâmico + Macrolídeo (ou Fluoroquinolona) IV.

Resumo-Chave

O paciente apresenta critérios de gravidade (hipotensão, confusão, taquipneia), exigindo cobertura para patógenos típicos e atípicos com terapia combinada.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) continua sendo uma das principais causas de morte por infecção no mundo. O manejo adequado depende da estratificação de risco inicial. Pacientes que apresentam sinais de sepse, como hipotensão, oligúria e tempo de enchimento capilar prolongado, devem receber antibioticoterapia de amplo espectro precocemente. A escolha de Ceftriaxone associado a um macrolídeo cobre os principais agentes etiológicos, incluindo Streptococcus pneumoniae e germes atípicos. A estabilização hemodinâmica com expansão volêmica e, se necessário, vasopressores, deve ocorrer simultaneamente ao início dos antimicrobianos, idealmente na primeira hora após a admissão.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de gravidade na PAC?

A gravidade pode ser avaliada pelo escore CURB-65 (Confusão, Ureia > 43, FR ≥ 30, Baixa pressão arterial, Idade ≥ 65). Pacientes com escore ≥ 3 ou com critérios maiores da ATS/IDSA (necessidade de ventilação mecânica ou choque séptico) são classificados como graves, exigindo tratamento em ambiente hospitalar, preferencialmente UTI.

Por que associar macrolídeo ao beta-lactâmico?

A associação de um macrolídeo (como azitromicina ou claritromicina) ao beta-lactâmico (como ceftriaxone) visa cobrir patógenos atípicos (Legionella, Mycoplasma) e aproveitar o efeito imunomodulador dos macrolídeos, o que demonstrou redução de mortalidade em casos de PAC grave em comparação à monoterapia.

Quando usar cobertura para Pseudomonas ou MRSA?

A cobertura para Pseudomonas (ex: Piperacilina/Tazobactam) ou MRSA (ex: Vancomicina) deve ser considerada apenas se houver fatores de risco específicos, como colonização prévia, internação hospitalar recente, uso de antibióticos IV nos últimos 90 dias ou isolamento prévio desses patógenos.

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