Pneumonia Grave em Etilistas: Patógenos e Manejo

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino, 70 anos, morador de rua, etilista, vem ao PS trazido pelo Samu devido a estado confusional. Exame físico: PA = 80 x 40 mmHg; FC = 130bpm; temperatura = 38°C; glicemia capilar = 200; FR = 30 irpm; SaO₂ = 90% em ar ambiente. Geral: MAU estado geral, anictérico, acianótico, febril, dentes em mal estado de conservação, hálito etílico. Glasgow: abertura ocular: abre os olhos ao chamado; resposta motora: retira o membro à dor; resposta verbal: fala confusa / sem sentido. Ausculta cardíaca sem alterações. Ausculta pulmonar com roncos bilaterais. Abdômen flácido, sem dor à palpação, sem outras alterações. Extremidades: edema +/4+ de MMII, tempo de enchimento capilar = 4s. Não há internações recentes. Inicialmente, o paciente foi conduzido à sala de emergência, e você está de plantão. Condutas iniciais foram tomadas, e exames complementares solicitados. Hb = 13,7; Ht = 40%; leucócitos = 20.700, 5% bastões, 70% segmentados, 25% linfócitos; plaquetas = 150.000; Cr = 2,0; Ureia = 60; Na = 143; K = 5,0. Gasometria: pH = 7,25; PaO₂ = 55; PaCO₂ = 30; bic = 15; SaO₂ = 90%; bilirrubinas totais = 1,0; amilase = 70; lipase = 30; gama-GT = 300; fosfatase alcalina = 100; PCR = 150; pró-calcitonina = 0,7. Raio-x tórax na sala de emergência. Pelas características do paciente, quais os patógenos mais prováveis devem estar presentes?

Alternativas

  1. A) Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, anaeróbios
  2. B) Anaeróbios, Moraxella cotarrhalis, Streptococcus pneumoniae
  3. C) Streptococcus pneumoniae, Klebsiella spp., anaeróbios
  4. D) Legionella pneumophila, Streptococcus pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa

Pérola Clínica

Pneumonia grave em etilista/morador de rua → considerar patógenos atípicos e Gram-negativos como Legionella, Pseudomonas, Klebsiella, além de S. pneumoniae.

Resumo-Chave

Pacientes com fatores de risco como etilismo, desnutrição e condições sociais precárias têm maior risco de pneumonia por patógenos menos comuns ou mais resistentes, exigindo cobertura antibiótica empírica mais ampla. A gravidade do quadro (choque, confusão, hipoxemia) também direciona a essa escolha.

Contexto Educacional

Pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção comum, mas sua etiologia e manejo variam significativamente com os fatores de risco do paciente. Em indivíduos idosos, etilistas, desnutridos ou moradores de rua, a PAC tende a ser mais grave e causada por um espectro mais amplo de patógenos, incluindo Gram-negativos entéricos, anaeróbios e patógenos atípicos. A identificação desses fatores é crucial para a escolha da terapia empírica inicial. A fisiopatologia da pneumonia em etilistas envolve comprometimento da imunidade inata e adaptativa, disfunção da depuração mucociliar e maior risco de aspiração. Isso favorece a colonização e infecção por bactérias como Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e anaeróbios. A Legionella pneumophila, embora atípica, é uma causa importante de pneumonia grave, frequentemente associada a sintomas extrapulmonares como confusão mental e disfunção gastrointestinal, e deve ser considerada em quadros graves. O tratamento empírico da pneumonia grave deve cobrir Streptococcus pneumoniae, patógenos atípicos (como Legionella) e, em pacientes com fatores de risco, Gram-negativos como Pseudomonas. A terapia deve ser ajustada após a cultura e testes de sensibilidade, mas a escolha inicial é vital para o prognóstico. A estratificação de risco, utilizando escores como CURB-65 ou PSI/PORT, auxilia na decisão de internação e na escolha do regime antibiótico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para pneumonia por Pseudomonas aeruginosa?

Os principais fatores de risco incluem doença pulmonar estrutural (bronquiectasias, fibrose cística), uso recente de antibióticos, hospitalização prévia, uso de corticosteroides e alcoolismo crônico.

Como a Legionella pneumophila se manifesta clinicamente?

A Legionella pode causar pneumonia grave com sintomas extrapulmonares como confusão mental, diarreia, dor abdominal e hiponatremia, além de febre alta e tosse. A procalcitonina pode estar elevada.

Qual a importância da procalcitonina na pneumonia?

A procalcitonina é um biomarcador que auxilia na diferenciação entre infecções bacterianas e virais, e na avaliação da gravidade da sepse. Níveis elevados sugerem etiologia bacteriana e maior gravidade.

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