INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um paciente com 24 anos de idade, estudante universitário, procura Unidade Básica de Saúde referindo há dois dias “febre alta”, de início súbito, dor torácica na inspiração profunda e tosse produtiva, com expectoração amarelada. Nega antecedentes patológicos significativos. Ao exame o paciente apresenta-se lúcido, orientado, com mucosas normocoradas, normo-hidratadas, escleróticas anictéricas. Aparelho respiratório: murmúrio vesicular audível, exceto em terço médio de hemitórax direito, onde ausculta-se um sopro tubário. Verifica-se aumento do frêmito tóracovocal nessa mesma região. Aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular em dois tempos com bulhas normofonéticas, sem sopros. Abdome flácido, ausência de visceromegalias. Membros inferiores sem alterações. Sinais vitais: pressão arterial = 120 × 80 mmHg, frequência respiratória = 24 irpm, frequência cardíaca = 98 bpm e temperatura axilar = 39,0°C. A radiografia de tórax realizada no atendimento é mostrada abaixo: A conduta terapêutica mais adequada para essa paciente é:
PAC em hígido sem fatores de risco → Macrolídeo (Azitromicina) ou Amoxicilina em altas doses.
Para pacientes jovens, hígidos e com quadro de pneumonia típica (febre, tosse, consolidação) sem critérios de gravidade, o tratamento ambulatorial com macrolídeos é uma opção eficaz e segura.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) continua sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. O diagnóstico é clínico-radiológico, exigindo a presença de infiltrado novo na radiografia de tórax associado a sintomas de infecção de vias aéreas inferiores. A estratificação de risco é o passo mais importante após o diagnóstico para definir o local do tratamento. No Brasil, a escolha do antibiótico deve considerar a epidemiologia local. Embora a resistência do S. pneumoniae aos macrolídeos seja uma preocupação crescente, em pacientes jovens e sem fatores de risco, eles ainda mantêm papel relevante, especialmente pela cobertura de agentes atípicos. O acompanhamento da resposta clínica em 48-72 horas é fundamental; a persistência da febre ou piora da dispneia deve levar à reavaliação diagnóstica e possível escalonamento terapêutico.
A decisão baseia-se em escores de gravidade, sendo o CURB-65 o mais utilizado. Ele avalia: Confusão mental, Ureia (>43 mg/dL), Frequência Respiratória (≥30 irpm), Pressão Arterial (Sistólica <90 ou Diastólica ≤60 mmHg) e Idade (≥65 anos). Pacientes com escore 0 ou 1 (como o do caso, que pontua 0) têm baixo risco de mortalidade e podem ser tratados ambulatorialmente. Outros fatores como oximetria de pulso (<92% em ar ambiente) e suporte social também devem ser considerados na decisão de internação.
A Azitromicina é um macrolídeo que cobre os principais patógenos da PAC em pacientes hígidos, incluindo o Streptococcus pneumoniae (embora a resistência esteja aumentando) e germes atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae. Em pacientes sem uso prévio de antibióticos nos últimos 3 meses e sem comorbidades, as diretrizes brasileiras e internacionais (como a ATS/IDSA) listam os macrolídeos ou a amoxicilina como opções de primeira linha para o manejo ambulatorial devido ao seu perfil de segurança e eficácia.
Esses achados são clássicos da síndrome de consolidação pulmonar. O parênquima pulmonar preenchido por exsudato (em vez de ar) transmite melhor as vibrações da voz (aumento do FTV) e os sons da traqueia para a periferia (sopro tubário). Na radiografia, isso se traduz como uma opacidade homogênea, muitas vezes com broncogramas aéreos. A presença desses sinais físicos em um paciente com início agudo de febre e tosse produtiva é altamente sugestiva de pneumonia bacteriana típica, geralmente causada pelo pneumococo.
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