PAC Grave em Idosos: Critérios de Internação e Tratamento

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 70 anos de idade, levado à unidade de emergência por dispneia há 4 dias, associada a tosse produtiva. Antecedentes pessoais: diabetes e hipertensão arterial. Sinais vitais à admissão: frequência = 30movimentos/minuto; frequência cardíaca = 96 batimentos/minuto, PA = 100 x 74mmHg Temperatura axilar = 38ºC, glicemia capilar = 254 mg/dL. Ao exame físico: REG, febril, desorientado no tempo, orientado no espaço, corado, anictérico, acianótico, taquipneico, sem sinais de esforço ventilatório. Ritmo cardíaco regular, com 3ª bulha, turgência jugular discreta. Murmúrios vesiculares audíveis, com estertores inspiratórios, em terço médio de hemitórax direito e discretos no THE. Exame abdominal sem alterações. Edema 1+/4+ em membros inferiores, simétrico, com pulsos palpáveis. Radiografia reproduzida a seguir: Qual deve ser a conduta para este senhor?

Alternativas

  1. A) Internação hospitalar, iniciar ceftriaxone + claritromicina por 7 dias.
  2. B) Tratamento ambulatorial com levofloxacino por 7 dias.
  3. C) Internação hospitalar, iniciar ceftriaxone + clindamicina por 14 dias.
  4. D) Tratamento ambulatorial com claritromicina por 10 dias.

Pérola Clínica

PAC grave em idoso com comorbidades e CURB-65 ≥ 2 → internação hospitalar + Ceftriaxone + Claritromicina.

Resumo-Chave

Paciente idoso com comorbidades e sintomas de PAC, apresentando critérios de gravidade (CURB-65 ≥ 2, como confusão e taquipneia), exige internação hospitalar. O tratamento empírico inicial para PAC grave em internados é geralmente com betalactâmico (ceftriaxone) associado a macrolídeo (claritromicina).

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção respiratória aguda comum, com morbimortalidade significativa, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (tosse, febre, dispneia, dor torácica) e na presença de um infiltrado novo na radiografia de tórax. A estratificação de risco é crucial para decidir o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar) e o esquema antibiótico. Para a estratificação de risco, o escore CURB-65 é amplamente utilizado. Neste caso, o paciente de 70 anos apresenta desorientação no tempo (Confusão), frequência respiratória de 30 irpm (Respiration rate ≥ 30), e idade ≥ 65 anos. A pressão arterial de 100x74 mmHg não se enquadra estritamente na hipotensão sistólica (<90) ou diastólica (≤60), mas a desorientação e a taquipneia já somam 2 pontos, indicando a necessidade de internação hospitalar. A presença de diabetes e hipertensão, além de sinais de insuficiência cardíaca (3ª bulha, turgência jugular, edema), aumentam a gravidade. O tratamento empírico para PAC grave em pacientes internados, sem fatores de risco para Pseudomonas aeruginosa ou MRSA, geralmente envolve a combinação de um betalactâmico (como ceftriaxone) e um macrolídeo (como claritromicina ou azitromicina). Essa combinação oferece cobertura para os patógenos mais comuns, incluindo Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e patógenos atípicos. A duração do tratamento é tipicamente de 5 a 7 dias, mas pode ser estendida dependendo da resposta clínica. A avaliação contínua e o suporte são essenciais para pacientes com PAC grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore CURB-65 e como ele é utilizado?

O escore CURB-65 avalia a gravidade da PAC e a necessidade de internação, considerando: Confusão, Ureia > 7 mmol/L (ou 20 mg/dL), Frequência Respiratória ≥ 30 irpm, Pressão Arterial sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg, e Idade ≥ 65 anos. Cada critério vale 1 ponto; 0-1 ponto indica tratamento ambulatorial, ≥ 2 pontos indica internação hospitalar.

Qual o esquema antibiótico empírico recomendado para PAC grave em pacientes internados?

Para PAC grave em pacientes internados, o esquema antibiótico empírico recomendado geralmente inclui um betalactâmico (como ceftriaxone ou ampicilina/sulbactam) associado a um macrolídeo (como claritromicina ou azitromicina), ou monoterapia com uma fluoroquinolona respiratória (como levofloxacino ou moxifloxacino).

Quais são os fatores de risco para PAC grave em idosos?

Fatores de risco para PAC grave em idosos incluem idade avançada, presença de comorbidades como diabetes mellitus, doença cardíaca (insuficiência cardíaca, como sugerido pela 3ª bulha e turgência jugular), doença pulmonar obstrutiva crônica, imunossupressão, desnutrição e disfunção cognitiva.

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