PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Homem de 62 anos procura pronto atendimento com quadro de tosse produtiva, dor torácica ventilatório dependente e sensação febril, de três dias de evolução. Possui diabetes mellitus tipo 2, insulina-requerente e nefropatia diabética com doença renal crônica estágio IIIA. Faz uso regular de enalapril 20mg de 12/12h, metformina 850mg de 8/8h, insulina NPH 16 + O + 12 UI e sinvastatina 40mg ao dia. Sem histórico de intercorrências clínicas no último ano. Ao exame físico, apresenta-se alerta, orientado, em bom estado geral. PA 125x80mmHg, FC 103bpm, FR 22ipm, SpO₂ 97% em ar ambiente, Tax 38,3ºC. Glicemia capilar 110mg/dl.Expansibilidade reduzida em base do hemitórax direito, onde se observa macicez à percussão, som bronquial e crepitações finas teleinspiratórias. Restante do exame físico sem anormalidades relevantes. Realiza exames laboratoriais e radiografria de tórax, que revelam: Hb 13,Sg/dl, Htc 39%, leucócitos totais 16.520/mm³ , neutrófilos 12.610/mm³ , plaquetas 170.000/mm³ , creatinina 1,38mg/dl, ureia 20mg/dl, potássio 4,7mEq/L, sódio 136mEq/L, pH 7,4 e HCO₃ 23mEq/L. Considerando o quadro clínico exposto, assinale a alternativa que apresenta o conjunto de medidas MAIS ADEQUADAS a serem tomadas no atendimento sequencial deste paciente:
PAC em paciente com comorbidades e CURB-65 baixo → tratamento ambulatorial com amoxicilina-clavulanato + macrolídeo.
Paciente com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) e comorbidades como DM2 e DRC, mas com escore de gravidade baixo (CURB-65 ≤ 1), pode ser tratado ambulatorialmente. A combinação de amoxicilina-clavulanato e um macrolídeo (azitromicina) é a escolha para cobrir patógenos típicos e atípicos.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção respiratória comum que pode ter desfechos variáveis, especialmente em pacientes com comorbidades. A estratificação de risco é fundamental para decidir o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar) e a escolha da antibioticoterapia. O escore CURB-65 (Confusão, Ureia > 7 mmol/L, Frequência Respiratória ≥ 30 irpm, Pressão Arterial Sistólica < 90 mmHg ou Diastólica ≤ 60 mmHg, Idade ≥ 65 anos) é amplamente utilizado para essa avaliação. No caso apresentado, o paciente tem comorbidades (DM2, DRC IIIA) e idade > 65 anos, mas seu escore CURB-65 é baixo (apenas 1 ponto pela idade, pois não há confusão, ureia normal, FR normal, PA normal). Seus sinais vitais e exames laboratoriais não indicam gravidade para internação. Portanto, o tratamento ambulatorial é apropriado. A antibioticoterapia para PAC ambulatorial em pacientes com comorbidades deve cobrir os patógenos mais comuns, incluindo Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, e também patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. A combinação de amoxicilina-clavulanato (para cobertura de S. pneumoniae e H. influenzae, incluindo cepas produtoras de betalactamase) e azitromicina (para cobertura de atípicos) é uma escolha eficaz e recomendada nessas situações. O acompanhamento em 48 horas é essencial para reavaliar a resposta ao tratamento.
Pacientes com comorbidades como DM2 e DRC podem ser tratados ambulatorialmente se apresentarem baixo risco de mortalidade, geralmente avaliado por escores como o CURB-65 (0-1 ponto), sem instabilidade hemodinâmica ou hipoxemia grave.
Para pacientes com comorbidades, o esquema recomendado é a combinação de um betalactâmico com inibidor de betalactamase (ex: amoxicilina-clavulanato) e um macrolídeo (ex: azitromicina), para cobrir tanto patógenos típicos quanto atípicos.
A internação é indicada para pacientes com escore CURB-65 ≥ 2, instabilidade hemodinâmica, hipoxemia (SpO2 < 90%), falha do tratamento ambulatorial, ou outras condições que aumentem o risco de complicações, como sepse.
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