Pneumonia Adquirida na Comunidade: Diagnóstico e Manejo

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

J.M., sexo masculino, 67 anos, portador de HAS (uso de enalapril 10 mg 2 vezes ao dia e hidroclorotiazida 25 mg ao dia), dá entrada no pronto atendimento hospitalar com história de tosse produtiva há 1 semana, hiporexia e febre não aferida. Relatou ainda "dor no peito" em pontada na base do hemitórax direito, principalmente com movimento de inspiração. Reside sozinho em uma comunidade ribeirinha e por isso nega contactantes sintomáticos respiratórios intradomiciliares. Nega internações ou uso de antibióticos prévios. Nega cirurgias ou longas viagens recentes. EXAME FÍSICO: regular estado geral, lúcido e orientado no tempo e espaço, prostrado, cooperativo, desidratado 2+/4+, anictérico, acianótico, febril (TAX = 38,7°C). PA = 148/67 mmHg; FR = 33 irmp; sem uso de musculatura acessória; AR: murmúrio vesicular reduzido em 1/3 inferior de hemitórax direito, com presença de estertores crepitantes nesta topografia. Restante do exame físico sem alterações. RESULTADO DE EXAMES LABORATORIAIS: BIOQUÍMICA E ELETRÓLITOS: glicemia de jejum (88 mg/dl, VR = 60-99 mg/dl); colesterol total (201 mg/dl, VR: < 200 mg/dl); triglicerídeos (164 mg/dl, VR: < 150 mg/dl); ureia nitrogenada (58 mg/dl, VR = 7- 20 mg/dl); sódio (142 mEq/L, VR = 136-146 mEq/L); HEMOGRAMA (eritrócitos 5,0 x 10¹²/L, VR = 4,3-5,6 x 10¹²/L); hemoglobina (11,9 g/dl, VR = 12-16 g/dl); hematócrito (35,7%, VR = 36-48%); leucograma (leucócitos 13,4 x 10³, VR = 3,54-9,06 x 10³); proteína C-reativa (100 mg/L, VR = 0,2-3,0 mg/L); lactato (54 mg/dl, VR = 4,5-14 mg/dl). Em relação ao caso clínico, marque V para as afirmativas Verdadeiras e F para as Falsas. ( ) Os achados semiológicos no exame físico de tórax deste paciente incluem frêmito toracovocal reduzido em 1/3 inferior de hemitórax direito e percussão submaciça ou maciça na área da consolidação. ( ) De acordo com o CURB-65, este paciente apresenta três fatores de gravidade para complicações na pneumonia e necessita ser internado na unidade de terapia intensiva para tratamento. ( ) Trata-se de uma Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) e o manejo terapêutico empírico inclui iniciar antibioticoterapia venosa com quinolona respiratória associada a um macrolídeo. ( ) Em suspeita de sepse pulmonar, deve-se coletar amostras de hemoculturas, GRAM e culturas do escarro, quando disponíveis, sempre objetivando confirmar o diagnóstico etiológico antes de iniciar o antibiótico direcionado ao patógeno. ( ) A radiografia simples de tórax constitui o método de imagem de escolha na abordagem inicial da pneumonia adquirida na comunidade, pela sua ótima relação custo-efetividade, baixas doses de radiação e ampla disponibilidade. Assinale a sequência CORRETA.

Alternativas

  1. A) V, V, F, V, V.
  2. B) F, V, F, V, F.
  3. C) F, F, V, F, V.
  4. D) V, F, V, F, F.

Pérola Clínica

PAC grave: CURB-65 > 2. Coleta de culturas ANTES do ATB é ideal, mas não atrasar o ATB em sepse.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de PAC com fatores de gravidade (idade > 65, FR > 30, ureia > 20, PA < 90/60). O CURB-65 deve ser calculado para estratificação de risco. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada prontamente, e a radiografia de tórax é o método de imagem de escolha. A coleta de culturas antes do antibiótico é ideal, mas não deve atrasar o tratamento em casos de sepse.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar adquirida fora do ambiente hospitalar. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para um bom prognóstico. A avaliação inicial inclui a história clínica, exame físico e exames complementares, como a radiografia de tórax, que é o método de imagem de escolha. A estratificação de risco é fundamental para decidir o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a escolha da antibioticoterapia. O escore CURB-65 é amplamente utilizado para essa finalidade, avaliando confusão, ureia, frequência respiratória, pressão arterial e idade. Pacientes com escores mais altos geralmente necessitam de internação e, em alguns casos, de tratamento em unidade de terapia intensiva. O tratamento da PAC é primariamente com antibioticoterapia empírica, que deve ser iniciada o mais rápido possível após o diagnóstico, especialmente em pacientes com sinais de gravidade ou sepse. A escolha do antibiótico depende da gravidade da doença, fatores de risco para patógenos específicos e padrões de resistência locais. Em casos de sepse pulmonar, a coleta de culturas (hemoculturas, escarro) é importante para guiar o tratamento, mas não deve atrasar o início do antibiótico, que é uma medida salvadora de vidas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore CURB-65 e sua utilidade na PAC?

O CURB-65 avalia Confusão, Ureia > 7 mmol/L (ou > 20 mg/dL), Frequência Respiratória > 30 irpm, Pressão Arterial (sistólica < 90 ou diastólica < 60 mmHg) e idade > 65 anos. Ele estratifica o risco de mortalidade e orienta o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria, UTI).

Qual a conduta em relação à coleta de culturas antes da antibioticoterapia na sepse pulmonar?

Em casos de sepse ou choque séptico, as culturas (hemoculturas, escarro) devem ser coletadas idealmente antes do início do antibiótico, mas a antibioticoterapia não deve ser atrasada por mais de uma hora para aguardar a coleta.

Quais são as opções de antibioticoterapia empírica para PAC em pacientes internados?

Para pacientes internados (não UTI), as opções incluem beta-lactâmico (ex: ceftriaxona) associado a um macrolídeo (ex: azitromicina) ou monoterapia com uma quinolona respiratória (ex: levofloxacino, moxifloxacino).

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