UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2019
Pré-escolar, 3 anos, apresenta tosse produtiva há 5 dias e febre há 3 dias associada à hiporexia. Estado geral preservado, corada, afebril e com boa prefusão capilar periférica. Não há triagem intercostal e subcostal e a ausculta pulmonar revela estertores crepitantes no terço inferior do hemitórax esquerdo e FR = 50irpm. RX de toráx: condensação na base pulmonar esquerda com broncograma aéreo de permeio, sem derrame pleural ipsilateral. A hipótese diagnóstica principal é pneumonia adquirida na comunidade cujo agente etiológico mais provável é:
Taquipneia + Estertores focais + Consolidação → Streptococcus pneumoniae (agente #1).
O Streptococcus pneumoniae é o principal agente bacteriano da pneumonia típica em pré-escolares, caracterizada por início agudo, febre e achados radiológicos de consolidação lobar.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma causa importante de morbimortalidade infantil. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de tosse e taquipneia. A ausculta com estertores localizados e o raio-x com consolidação lobar e broncograma aéreo direcionam para etiologia bacteriana típica. O tratamento inicial para casos ambulatoriais em crianças imunizadas costuma envolver Amoxicilina em doses adequadas para cobrir o pneumococo. É fundamental monitorar sinais de gravidade, como tiragem subcostal, batimento de asa de nariz ou cianose, que indicariam necessidade de hospitalização e antibioticoterapia intravenosa.
A frequência respiratória (FR) é o sinal mais sensível para pneumonia na infância. Os pontos de corte são: <2 meses: ≥ 60 irpm; 2 a 11 meses: ≥ 50 irpm; 1 a 5 anos: ≥ 40 irpm. No caso apresentado, a criança de 3 anos com FR de 50 irpm apresenta taquipneia clara, corroborando o diagnóstico de pneumonia.
Após o período neonatal e a introdução das vacinas pneumocócicas conjugadas, o S. pneumoniae continua sendo o patógeno bacteriano mais frequente em todas as faixas etárias pediátricas para pneumonia típica. O quadro clínico de consolidação lobar com broncograma aéreo é altamente sugestivo de etiologia bacteriana 'típica', diferenciando-se dos quadros virais (geralmente infiltrados intersticiais) ou atípicos (mais comuns em crianças mais velhas).
Agentes atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae são mais frequentes em crianças acima de 5 anos (escolares e adolescentes). O quadro costuma ser mais insidioso, com tosse seca persistente, cefaleia, mialgia e achados radiológicos que parecem 'piores' que o estado clínico do paciente (infiltrados difusos). Em crianças menores de 5 anos, os vírus respiratórios e o pneumococo predominam amplamente.
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