Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Mulher de 70 anos, portadora de doença renal crônica estágio 4, hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2. Há dois dias apresenta febre, tosse produtiva e dispneia progressiva. Ao chegar ao pronto-socorro, encontra-se confusa, sudoreica e taquipneica. Sinais vitais: PA 88x54 mmHg, FC 118 bpm, FR 32 irpm, SatO₂ 89% em ar ambiente, temperatura 38,6 °C. Ausculta pulmonar com crepitações bilaterais difusas. Gasometria arterial com hipoxemia moderada. Segue radiografia da paciente: Qual o local de tratamento MAIS adequado para essa paciente?
Hipotensão (PAS < 90) + Confusão + Taquipneia (FR > 30) + Idoso → Internação em UTI.
A gravidade da PAC é definida por critérios clínicos (CURB-65) e de instabilidade hemodinâmica/respiratória, exigindo suporte intensivo em casos de choque ou insuficiência respiratória.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) em pacientes idosos e com comorbidades (como DRC e DM) apresenta um risco significativamente elevado de complicações e mortalidade. A avaliação inicial deve ser rápida, focando na estabilidade hemodinâmica e ventilatória. O uso de escores como CURB-65 ou o PSI (Pneumonia Severity Index) auxilia na decisão do local de tratamento, mas o julgamento clínico sobre a presença de sepse e falência orgânica é soberano. Neste caso, a paciente preenche critérios para choque séptico (hipotensão refratária ou sinais de má perfusão como confusão mental) e insuficiência respiratória aguda. O tratamento em UTI permite a monitorização invasiva, administração precoce de antibióticos de amplo espectro (cobertura para germes comuns e possivelmente gram-negativos dada a DRC) e suporte ventilatório se necessário. O atraso na transferência para terapia intensiva em casos de PAC grave está diretamente associado ao aumento da mortalidade hospitalar.
De acordo com as diretrizes da IDSA/ATS, os critérios maiores para internação direta em UTI são: necessidade de ventilação mecânica invasiva ou presença de choque séptico com necessidade de vasopressores. A presença de apenas um desses critérios já justifica a UTI.
O CURB-65 avalia: Confusão mental, Ureia > 43 mg/dL, Respiração (FR ≥ 30), Blood pressure (PAS < 90 ou PAD ≤ 60) e idade ≥ 65 anos. Pontuação 0-1: ambulatorial; 2: enfermaria; ≥ 3: considerar UTI, especialmente se houver instabilidade.
A paciente apresenta múltiplos critérios de gravidade: idade avançada (70 anos), confusão mental, taquipneia importante (32 irpm) e, crucialmente, hipotensão arterial (88x54 mmHg) caracterizando choque séptico provável, além de hipoxemia. Pelo CURB-65, ela pontua 4 (C, R, B, 65), o que indica alta mortalidade e necessidade de suporte intensivo.
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