SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Menina, 8 anos de idade, é trazida ao Pronto Atendimento com dispneia e dor ventilatória dependente há 4 dias. Há dois dias vem cursando com febre alta (não aferida) associada a calafrios e tosse produtiva. A radiografia de tórax mostra derrame pleural à direita.Indique o agente etiológico mais provável, considerando os aspectos clínicos, epidemiológicos e radiológicos.
Pneumonia + Derrame Pleural em crianças → Causa #1: Streptococcus pneumoniae.
O pneumococo continua sendo o principal agente de pneumonia e suas complicações (como derrame pleural) em todas as faixas etárias pediátricas após o período neonatal.
O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é o patógeno bacteriano mais prevalente na pneumonia infantil. Mesmo com a vacinação pneumocócica, ele lidera os casos de derrame pleural parapneumônico. O quadro clínico de febre alta, tosse e dor ventilatório-dependente é clássico. O diagnóstico diferencial inclui S. aureus (especialmente em quadros muito graves/necrotizantes) e S. pyogenes. No entanto, estatisticamente, o pneumococo é a resposta correta para a maioria das questões de prova que envolvem pneumonia bacteriana típica e suas complicações pleurais em crianças previamente hígidas.
O Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, permanece como o principal agente etiológico da pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em crianças após o período neonatal, abrangendo lactentes, pré-escolares e escolares. Mesmo com a introdução das vacinas pneumocócicas conjugadas (PCV10 e PCV13), que reduziram drasticamente a incidência de doença invasiva, ele ainda lidera as estatísticas. Em escolares, o Mycoplasma pneumoniae também ganha relevância como causa de pneumonia atípica, mas em quadros lobares típicos e consolidados, o pneumococo é o suspeito número um. A identificação correta é essencial para o direcionamento da antibioticoterapia inicial, que geralmente foca na sensibilidade deste patógeno à penicilina ou amoxicilina em doses adequadas.
Deve-se suspeitar de derrame pleural parapneumônico sempre que uma criança com pneumonia mantiver febre alta ou apresentar piora clínica após 48 a 72 horas de tratamento antibiótico adequado. Sinais físicos como macicez à percussão, redução ou ausência de murmúrio vesicular e diminuição do frêmito tóraco-vocal no lado afetado são indicativos clássicos. A dor torácica do tipo pleurítica (que piora com a inspiração profunda) e a adoção de posições antálgicas também são frequentes. Nesses casos, a propedêutica armada com radiografia de tórax em incidências ortostática e, se necessário, decúbito lateral (incidência de Hila-Mouton) é mandatória para confirmar a presença de líquido no espaço pleural.
A conduta inicial diante de um derrame pleural parapneumônico envolve a confirmação radiológica e a avaliação da necessidade de toracentese. Se o derrame for pequeno (menor que 10mm na incidência de decúbito lateral) e o paciente estiver clinicamente estável, pode-se optar pelo manejo conservador com antibioticoterapia venosa e observação rigorosa. No entanto, se o derrame for volumoso, causar desconforto respiratório ou houver suspeita de empiema (derrame complicado), a toracentese diagnóstica e terapêutica é indicada. A análise do líquido pleural (pH, glicose, LDH, gram e cultura) é fundamental para decidir entre a manutenção do tratamento clínico ou a necessidade de drenagem de tórax e uso de fibrinolíticos.
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