HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019
Mulher de 68 anos, professora de francês, sem comorbidades, dá entrada no hospital com quadro de tosse produtiva há 3 dias, associada a episódios febris. Reside sozinha e não tem histórico de viagens recentes. Fez uso de antitussígenos por 2 dias, sem efeito. Ao exame físico: PA: 90 x 50 mmHg, FC: 100 bpm, FR: 35 ipm, lúcida. RX tórax: velamento 2/3 inferiores de pulmão direito. Todas as alternativas estão corretas, exceto:
PAC grave (CURB-65 ≥ 2 ou 3) → Internação hospitalar e antibioticoterapia IV.
Pacientes com pneumonia adquirida na comunidade que apresentam critérios de gravidade, como idade avançada, hipotensão arterial e taquipneia (indicando CURB-65 elevado), necessitam de internação hospitalar para tratamento com antibioticoterapia endovenosa, visando estabilização clínica e prevenção de complicações.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar aguda que representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo, sendo uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. A correta avaliação da gravidade é crucial para determinar o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e o regime antibiótico adequado, impactando diretamente o prognóstico do paciente. A avaliação da gravidade da PAC é frequentemente realizada por meio de escores como o CURB-65 ou PSI/PORT. O CURB-65, que considera Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial e Idade > 65 anos, é uma ferramenta prática para identificar pacientes com maior risco de complicações e mortalidade, indicando a necessidade de internação hospitalar para aqueles com pontuação ≥ 2. A presença de hipotensão e taquipneia, como no caso da questão, são marcadores de gravidade que demandam atenção imediata. O tratamento da PAC grave exige internação hospitalar e antibioticoterapia endovenosa empírica, que deve cobrir os patógenos mais comuns, como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e patógenos atípicos. A escolha do antibiótico é guiada por fatores de risco, epidemiologia local e padrões de resistência. O acompanhamento radiológico e clínico é fundamental, mas a melhora radiológica pode ser mais lenta que a clínica, não justificando a troca precoce de antibiótico se houver resposta clínica.
Os principais critérios incluem idade > 65 anos, comorbidades, alterações dos sinais vitais (PA < 90/60 mmHg, FC > 125 bpm, FR > 30 ipm), confusão mental e alterações laboratoriais como leucopenia ou leucocitose extrema.
A escala CURB-65 avalia Confusão, Ureia > 7 mmol/L, Frequência Respiratória > 30 ipm, Pressão Arterial (sistólica < 90 ou diastólica < 60 mmHg) e Idade > 65 anos. Uma pontuação de 0-1 geralmente permite tratamento ambulatorial, enquanto ≥ 2 pontos indica internação.
A conduta inicial envolve internação hospitalar, coleta de culturas (hemocultura, escarro), oxigenoterapia se necessário e início imediato de antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro, ajustada posteriormente conforme resultados de cultura.
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