Empiema e Pneumatocele em Crianças: Manejo e ATB

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021

Enunciado

Pré-escolar, 04 anos, admitido por desconforto respiratório, em radiografia torácica, observou-se velamento pulmonar direito, sendo submetido à drenagem torácica, com saída de conteúdo purulento de aproximadamente 500ml.Transferido para a enfermaria, em uso de Ceftriaxona no D3. Em radiografia de controle, observa-se imagens globosas hipertransparentes. Paciente evolui com retorno de episódios de febre. Aponte a assertiva que melhor condiz com o quadro apresentado:

Alternativas

  1. A) Necessário nova drenagem torácica, pois as imagens em radiografia caracterizam dreno mal posicionado com formação de enfisema pulmonar, e manutenção da Ceftriaxona com observação clínica até 07 dias de antimicrobiano.
  2. B) Necessário associar Oxacilina à Ceftriaxona, pela característica de infecção por Staphylococcus, vista em radiografia torácica (pneumatocele) e analisar a oscilação e posicionamento do dreno, para manutenção da fisioterapia respiratória.
  3. C) Prescrever Fisioterapia respiratória, visto o risco iminente causado pelas pneumatoceles.
  4. D) Solicitar avaliação imediata da equipe da Cirurgia Torácica, para revisão do dreno, devido a alta possibilidade de rotura da pneumatocele.
  5. E) Trocar Rocefin por Amicacina.

Pérola Clínica

Empiema + pneumatocele + febre persistente em criança → suspeitar Staphylococcus aureus e ajustar ATB (associar Oxacilina).

Resumo-Chave

A formação de pneumatoceles em crianças com pneumonia e empiema, especialmente com febre persistente, é altamente sugestiva de infecção por Staphylococcus aureus. A Ceftriaxona não oferece cobertura adequada para este patógeno, exigindo a associação de um antibiótico como a Oxacilina.

Contexto Educacional

O empiema pleural em crianças é uma complicação grave da pneumonia, caracterizada pelo acúmulo de pus no espaço pleural. A etiologia mais comum varia com a idade e o perfil epidemiológico local, mas Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus são patógenos importantes. O manejo envolve drenagem do espaço pleural e antibioticoterapia adequada. A formação de pneumatoceles é uma complicação conhecida de pneumonias necrotizantes, frequentemente associada a infecções por Staphylococcus aureus. A persistência de febre e o surgimento de pneumatoceles, mesmo após o início da antibioticoterapia com Ceftriaxona, devem levantar a suspeita de cobertura inadequada para Staphylococcus aureus. A conduta nesses casos inclui a revisão da antibioticoterapia, com a adição de um agente anti-estafilocócico (como Oxacilina ou Vancomicina, se houver suspeita de MRSA), e a manutenção da drenagem torácica e fisioterapia respiratória. A avaliação da equipe de cirurgia torácica pode ser necessária em casos de falha da drenagem ou complicações como fístulas broncopleurais.

Perguntas Frequentes

O que são pneumatoceles e qual sua relação com infecções pulmonares em crianças?

Pneumatoceles são cavidades de paredes finas e cheias de ar que se formam no parênquima pulmonar, frequentemente como complicação de pneumonias necrotizantes, especialmente as causadas por Staphylococcus aureus em crianças.

Qual a conduta para empiema pleural com formação de pneumatoceles e febre persistente?

Além da drenagem torácica, a persistência da febre e a presença de pneumatoceles sugerem falha da antibioticoterapia inicial. É crucial ajustar o esquema antimicrobiano para cobrir patógenos como Staphylococcus aureus, geralmente adicionando uma penicilina resistente à penicilinase (ex: Oxacilina).

Por que a Ceftriaxona pode ser insuficiente nesses casos?

A Ceftriaxona é um cefalosporina de terceira geração com boa cobertura para muitos patógenos respiratórios, mas sua atividade contra Staphylococcus aureus (especialmente cepas produtoras de beta-lactamase) é limitada, o que justifica a necessidade de associação com outro antibiótico.

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