CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2009
As fibras parassimpáticas fotomotoras do nervo oculomotor são irrigadas por:
Fibras pupilares (periféricas) = Plexo pial; Fibras motoras (centrais) = Vasa nervorum.
As fibras parassimpáticas pupilomotoras do III par localizam-se na periferia do nervo e são nutridas pelo plexo vascular da pia-máter, sendo poupadas em isquemias centrais.
A organização somatotópica do nervo oculomotor é fundamental para a semiologia neurológica. As fibras destinadas ao músculo elevador da pálpebra e ao reto superior estão localizadas superiormente, enquanto as fibras pupilares ocupam a porção mais superficial e superior do nervo. O plexo vascular da pia-máter é uma rede de pequenos vasos que envolvem o nervo em seu trajeto subaracnóideo. Esta rede é altamente sensível a distorções mecânicas. Em contraste, a vasa nervorum penetra no tronco do nervo para nutrir os axônios motores profundos. Essa distinção anatômica é a base da Regra da Pupila de Hutchinson na avaliação de paralisias do terceiro par.
As fibras parassimpáticas responsáveis pela constrição pupilar localizam-se na periferia (superfície) do nervo oculomotor. Devido a essa posição superficial, elas são as primeiras a serem comprimidas por massas externas, como um aneurisma da artéria comunicante posterior. Isso resulta em uma pupila dilatada e não reagente (midríase paralítica), um sinal de alerta crítico para compressão extrínseca.
O centro do nervo oculomotor, que contém as fibras motoras para os músculos extraoculares e o elevador da pálpebra, é suprido pela vasa nervorum (vasos intraneurais). Já a periferia do nervo, onde residem as fibras pupilares, recebe suprimento sanguíneo do plexo vascular da pia-máter. Essa dupla irrigação explica por que doenças microvasculares (como diabetes) afetam o centro mas poupam a pupila.
Na neuropatia isquêmica diabética, ocorre oclusão da vasa nervorum, levando ao infarto da porção central do nervo. Como as fibras parassimpáticas periféricas são nutridas pelo plexo pial (que possui colaterais e é menos afetado pela microangiopatia diabética), a função pupilar permanece intacta. Portanto, uma paralisia do III par com pupila normal sugere causa isquêmica, enquanto o envolvimento pupilar sugere compressão.
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