Plasmocitoma Solitário Ósseo: Diagnóstico e Diferenciais

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 69 anos, comparece ao setor de emergência ortopédica queixando de claudicação e dor no quadril direito. Radiografia: lesão lítica insuflante na metáfise proximal do fêmur com aspecto de agressividade. Investigação diagnóstica subsequente: predomínio de plasmócitos neoplásicos no exame histopatológico da lesão lítica; ausência de tumor primário na tomografia computadorizada (TC) do tórax e abdome; ausência de proteína M no plasma e na urina; exames laboratoriais sem alterações. Biópsia da medula óssea: sem evidência de plasmócitos neoplásicos. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) plasmocitoma
  2. B) gamopatia monoclonal de significado indeterminado
  3. C) mieloma múltilplo
  4. D) mieloma assintomático

Pérola Clínica

Plasmocitoma solitário ósseo = lesão lítica com plasmócitos neoplásicos + ausência de critérios para mieloma múltiplo.

Resumo-Chave

O plasmocitoma solitário ósseo é caracterizado por uma lesão óssea única com plasmócitos neoplásicos, sem evidência de doença sistêmica (ausência de proteína M, medula óssea normal, sem lesões líticas adicionais). É crucial diferenciá-lo do mieloma múltiplo para o manejo adequado.

Contexto Educacional

O plasmocitoma solitário ósseo é uma neoplasia de plasmócitos caracterizada pela presença de uma única lesão óssea lítica, composta por plasmócitos monoclonais, sem evidência de doença sistêmica. É uma condição rara, representando cerca de 3-5% das discrasias de plasmócitos, e é mais comum em homens idosos. A importância clínica reside na sua distinção do mieloma múltiplo, uma doença sistêmica com prognóstico e tratamento distintos. O diagnóstico baseia-se na biópsia da lesão óssea, que revela plasmócitos neoplásicos. É fundamental excluir o mieloma múltiplo através de exames complementares, como eletroforese de proteínas séricas e urinárias (para proteína M), dosagem de cadeias leves livres, biópsia de medula óssea (que deve ser negativa para plasmocitose >10%), e rastreamento de lesões ósseas adicionais (esqueleto completo, TC ou PET-CT). A ausência de hipercalcemia, insuficiência renal, anemia ou outras lesões ósseas é crucial para o diagnóstico de plasmocitoma solitário. O tratamento primário do plasmocitoma solitário ósseo é a radioterapia local, com altas taxas de controle da doença no local. A cirurgia pode ser indicada para lesões instáveis ou com risco de fratura patológica. O acompanhamento a longo prazo é essencial, pois uma parcela significativa dos pacientes pode evoluir para mieloma múltiplo, exigindo vigilância para o surgimento de novos sintomas ou alterações laboratoriais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para plasmocitoma solitário ósseo?

Os critérios incluem uma biópsia de lesão óssea mostrando plasmócitos monoclonais, ausência de plasmocitose medular (>10%), ausência de lesões ósseas adicionais, e ausência de hipercalcemia, insuficiência renal ou anemia relacionadas à doença.

Como o plasmocitoma solitário se diferencia do mieloma múltiplo?

O mieloma múltiplo é uma doença sistêmica com envolvimento medular difuso e/ou múltiplas lesões ósseas, além de critérios CRAB (hipercalcemia, insuficiência renal, anemia, lesões ósseas) ou biomarcadores de malignidade. O plasmocitoma é uma lesão única e localizada.

Qual o prognóstico do plasmocitoma solitário ósseo?

O plasmocitoma solitário ósseo tem um prognóstico geralmente bom com tratamento local (radioterapia), mas cerca de 50-70% dos pacientes podem progredir para mieloma múltiplo ao longo do tempo, exigindo acompanhamento rigoroso.

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