UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022
Paciente do sexo masculino, 47 anos, lavrador, natural da Bahia e procedente de São Paulo há 30 anos. Foi encaminhado para o hematologista, devido à presença de plaquetopenia (58.000 plaquetas/µl) em exames de rotina. Nega qualquer sintoma ou sangramento cutâneo mucoso evidente. Diz ingerir uma grande quantidade de etanol (> 40g/dia) desde os seus 18 anos de idade. Nega cirurgias ou hemotransfusões e não faz uso crônico de medicações. Ao exame físico, apresentava-se corado, anictérico com discretas telangectasias em região de tronco. O abdômen era flácido, sem abaulamentos ou circulação colateral visível, porém com fígado palpável a 3 cm do apêndice xifoide, de consistência endurecida e bordos rombos, baço palpável em torno de 4 cm do rebordo costal esquerdo, sem ascite detectável ao exame físico. Sobre o caso, é incorreto afirmar:
Plaquetopenia por hipertensão portal → hiperesplenismo. Esplenectomia NÃO é profilaxia primária para HDA.
A plaquetopenia em hepatopatia crônica é multifatorial, incluindo hiperesplenismo, deficiências nutricionais e supressão medular. A esplenectomia não é a conduta padrão para prevenir sangramento por varizes esofágicas, que requerem rastreamento endoscópico e profilaxia farmacológica ou ligadura elástica.
A plaquetopenia é uma complicação comum em pacientes com doença hepática crônica, especialmente cirrose, e sua etiologia é multifatorial. É crucial para residentes compreenderem as diversas causas e o manejo adequado para evitar condutas inadequadas, como a esplenectomia para prevenção primária de sangramento por varizes esofágicas, que possui indicações específicas e não se aplica a este cenário. A fisiopatologia da plaquetopenia em hepatopatas envolve principalmente o hiperesplenismo, onde o baço aumentado sequestra e destrói plaquetas. Outros fatores incluem a diminuição da produção de trombopoetina pelo fígado doente, supressão medular por álcool ou infecções virais crônicas, e deficiências nutricionais. O diagnóstico diferencial deve considerar outras causas de plaquetopenia, como a esquistossomose hepatoesplênica, comum em regiões endêmicas. O tratamento da plaquetopenia em hepatopatia crônica é direcionado à causa subjacente e às complicações. A prevenção de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é feita com betabloqueadores não seletivos ou ligadura elástica endoscópica, e não com esplenectomia. A esplenectomia é reservada para casos selecionados de hiperesplenismo grave com citopenias refratárias e complicações, ou como parte de transplante hepático.
A plaquetopenia em hepatopatas é multifatorial, incluindo hiperesplenismo devido à hipertensão portal, supressão medular por álcool ou vírus, deficiências nutricionais (folato, B12) e diminuição da produção de trombopoetina.
Não, a esplenectomia não é a conduta padrão para prevenção primária de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas. O manejo envolve betabloqueadores não seletivos e/ou ligadura elástica endoscópica, conforme o risco.
A esquistossomose hepatoesplênica causa hipertensão portal e consequente hiperesplenismo, levando ao sequestro e destruição de plaquetas no baço aumentado, resultando em plaquetopenia.
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