Manejo da Ansiedade e Neurossífilis na Atenção Domiciliar

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

O Serviço de Atenção Domiciliar do município é acionado para realizar a avaliação inicial de um municípe de 68 anos , devido diagnóstico principal de Acidente Vascular Encefálico do tipo Isquêmico, caracterizado por hemiparesia grau II em dimídio E, Iabilidade emocional e períodos de confusão mental e de ansiedade. Exame físico mostrava alguns tubérculos cutâneos. Durante realização de exames sorológicos iniciais identificou-se um VDRL, positivo, com investigação subsequente mostrando um teste treponêmico positivo. Familiares informam apenas que o munícipe apresentava, na juventude, antecendente de promiscuidade sexual e que realizou tratamento para Gonorréia há cerca de 45 anos atrás - período este em que chegou a apresentar lesões cutâneas, inclusive em regiões palmares e plantares, cuja cessação ocorreu espontaneamente. Familiares informam ainda que o munícipe já vinha apresentando quadro progressivo de alterações comportamentais e de memória há alguns anos, embora nunca tivesse demonstrado sinais de ansiedade até o quadro vascular. Em relação à ansiedade apresentada pelo munícipe da questão anterior, a melhor conduta a ser adotada seria:

Alternativas

  1. A) Conduta expectante, haja vista que munícipe deve iniciar terapia antimicrobiana para a moléstia infecciosa que está causando o quadro de ansiedade.
  2. B) Administração de Antidepressivo Tríciclico.\n
  3. C) Administração de Inibidor Seletivo de Recaptação de Serotonina combinado com Benzodiazepínico de curta duração nos momentos em que a ansiedade estiver mais exacerbada.
  4. D) Administração de Inibidor Seletivo de Recaptação de Serotonina combinado com Benzodiazepínico de curta duração nos momentos em que a ansiedade estiver mais exacerbada e com acompanhamento psicoterápico.
  5. E) Elaboração de um Planejamento Terapêutico Singular onde a ansiedade poderá ser trabalhada de forma interprofissional (profissionais médicos, de enfermagem, de saúde mental e de reabilitação).

Pérola Clínica

Sintomas neuropsiquiátricos complexos no domicílio → Planejamento Terapêutico Singular (PTS) interprofissional.

Resumo-Chave

A gestão de pacientes com múltiplas comorbidades (AVE + Neurossífilis) e sintomas comportamentais exige uma abordagem holística e intersetorial, priorizando o PTS sobre a farmacoterapia isolada para garantir a integralidade do cuidado.

Contexto Educacional

A neurossífilis é uma manifestação da sífilis terciária que pode ocorrer anos após a infecção inicial, apresentando-se como paralisia geral progressiva ou tabes dorsalis. Em pacientes idosos com histórico de sífilis não tratada e quadros de demência ou alterações comportamentais, o rastreio sorológico é mandatório. O caso clínico destaca a complexidade do manejo domiciliar, onde a ansiedade pode ser multifatorial (sequela de AVE, progressão da neurossífilis ou estresse adaptativo). As diretrizes de Atenção Básica e Domiciliar no Brasil enfatizam que casos de alta vulnerabilidade e complexidade clínica devem ser geridos através do PTS. Isso evita a fragmentação do cuidado e a iatrogenia por polifarmácia, especialmente em idosos. A interprofissionalidade permite que diferentes núcleos de saber contribuam para a estabilização do paciente, focando na funcionalidade e na qualidade de vida tanto do enfermo quanto de seus familiares.

Perguntas Frequentes

O que é o Planejamento Terapêutico Singular (PTS)?

O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas, para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão coletiva de uma equipe interdisciplinar, com apoio matricial. É utilizado em casos complexos onde as intervenções puramente biomédicas são insuficientes, integrando aspectos biológicos, subjetivos e sociais do paciente para promover uma reabilitação mais eficaz e humanizada.

Como diagnosticar neurossífilis em pacientes com sintomas neuropsiquiátricos?

O diagnóstico de neurossífilis baseia-se na combinação de testes sorológicos (VDRL e testes treponêmicos positivos), manifestações clínicas (como demência, alterações de personalidade ou tabes dorsalis) e, fundamentalmente, na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). No LCR, busca-se pleocitose, aumento de proteínas e VDRL reagente, embora um VDRL negativo no líquor não exclua o diagnóstico se a suspeita clínica for alta.

Qual o papel da equipe interprofissional no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD)?

No SAD, a equipe interprofissional (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos) atua na desospitalização e no manejo de condições crônicas agudizadas. No caso de ansiedade e confusão mental pós-AVE, a colaboração permite ajustar o ambiente, orientar cuidadores, realizar manejo não farmacológico de sintomas comportamentais e coordenar a reabilitação motora e cognitiva simultaneamente.

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