HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2022
Gestante com 34 semanas e dois dias de gestação vem à consulta por apresentar hemorragia via vaginal em quantidade mínima. Ao exame, evidenciou-se colo íntegro, sem sangramento ativo, e o útero encontrava-se com tamanho compatível com a idade gestacional, sem evidências de sofrimento fetal. Na ultrassonografia, evidenciou-se que a placenta ocluia completamente o orificio cervical interno. Sobre o caso descrito, analise as seguintes assertivas e assinale a alternativa correta. I. No momento da admissão obstétrica, deve-se evitar o toque vaginal, entretanto ele poderá ser realizado após a parada completa da hemorragia materna, com vistas a tentativa de parto normal. II. A melhor conduta para a paciente acima é não interromper a gestação nesse momento e iniciar o uso de sulfato de magnésio para neuroproteção, penicilina para profiláxia de infecções neonatais por estreptococo beta-hemolítico do grupo B e corticosteroides para maturação pulmonar fetal. III. São fatores de risco para essa condição a multiparidade, a gestação múltipla e a isoimunização Rh.
Placenta prévia total → Contraindicação absoluta de toque vaginal; parto cesáreo eletivo.
Em casos de placenta prévia, especialmente a total, o toque vaginal é contraindicado devido ao risco de desencadear hemorragia maciça. O parto vaginal é inviável, sendo a cesariana a via de parto de escolha.
A placenta prévia é uma condição em que a placenta se implanta total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando muito próxima do orifício cervical interno. É uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre, com incidência de aproximadamente 1 em 200 gestações. A placenta prévia total, como no caso descrito, oclui completamente o orifício cervical. A fisiopatologia está associada a fatores como multiparidade, cesarianas anteriores, curetagens, gestação múltipla e idade materna avançada. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal, que é o método mais preciso. O sangramento vaginal indolor é o sintoma clássico. O manejo da placenta prévia total exige cautela. O toque vaginal é absolutamente contraindicado antes da exclusão da condição por ultrassonografia devido ao risco de hemorragia. A conduta é expectante, com repouso e monitoramento, até que o feto atinja a maturidade pulmonar. Corticosteroides para maturação pulmonar fetal são indicados se a gestação for pré-termo. O parto é sempre por cesariana, geralmente eletiva, para evitar os riscos do trabalho de parto. A neuroproteção com sulfato de magnésio e a profilaxia para estreptococo beta-hemolítico não são indicações primárias para placenta prévia, mas podem ser consideradas se houver risco de parto prematuro.
O principal sintoma é sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, que ocorre no segundo ou terceiro trimestre da gestação. Pode ser intermitente e variar em intensidade, sem associação com dor uterina.
O toque vaginal é contraindicado porque pode traumatizar os vasos placentários que estão sobre o colo, desencadeando uma hemorragia maciça e potencialmente fatal para a mãe e o feto, antes mesmo de se ter um diagnóstico definitivo.
A via de parto recomendada para placenta prévia total é a cesariana eletiva, geralmente programada entre 36 e 37 semanas, para evitar o trabalho de parto e o risco de hemorragia incontrolável.
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