Placenta Prévia: Manejo do Sangramento Agudo na Gestação

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 35 anos de idade, está na sua primeira gestação, com 32 semanas e 4 dias, após realização de fertilização in vitro (FIV), indicada em virtude de fator tubário. Está fazendo o seu pré-natal em centro de referência terciário, devido à fertilização. Procura o pronto atendimento após apresentar um sangramento vaginal intenso há 2 horas. Relata que o quadro se iniciou assim que foi se deitar para dormir. Nega relação sexual ou manipulação do colo nas últimas 24 horas. Em ultrassonografia, realizada há 6 semanas, apresentava placenta de inserção baixa cobrindo o colo parcialmente. Não fez a segunda ultrassonografia, que estava programada para a 28ª semana. Ao exame, está em regular estado geral, com pressão arterial de 90x60mmHg e frequência cardíaca de 110 bpm. O exame especular evidenciou a presença de sangramento ativo em grande quantidade. Foi optado pela não realização do toque vaginal. O tônus abdominal está normal, com batimento cardíaco fetal (BCF) de 136 bpm, e dinâmica uterina ausente. Qual diagnóstico e conduta devem ser indicados?

Alternativas

  1. A) Trabalho de parto prematuro. Manter a assistência habitual ao trabalho de parto da paciente.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta. Internação para seguimento e fazer o parto com 36 semanas.
  3. C) Trabalho de parto prematuro. Inibição do parto com atosiban, corticoide e antibioticoprofilaxia para estreptococos.
  4. D) Placenta prévia. A realização de um parto cesária de urgência deve ser indicada.

Pérola Clínica

Gestante > 20 sem + sangramento vaginal indolor, súbito e vermelho vivo → Placenta prévia até prova em contrário. Toque vaginal é PROSCRITO.

Resumo-Chave

Na placenta prévia, o sangramento ocorre pela separação da placenta do segmento inferior do útero, que se distende e contrai. A instabilidade hemodinâmica materna, como no caso, é uma indicação absoluta de interrupção imediata da gestação por cesariana, independentemente da idade gestacional.

Contexto Educacional

Placenta prévia é a implantação da placenta no segmento inferior do útero, recobrindo parcial ou totalmente o orifício cervical interno. É uma das principais causas de hemorragia da segunda metade da gestação, representando uma emergência obstétrica com alto risco de morbimortalidade materna e fetal. Fatores de risco incluem multiparidade, idade materna avançada, cesárea anterior e fertilização in vitro (FIV). A apresentação clínica clássica é de sangramento vaginal súbito, indolor, de cor vermelho vivo e autolimitado, embora possa recorrer com maior intensidade. O útero geralmente se apresenta com tônus normal e relaxado entre as contrações, se houver. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia. Diante da suspeita clínica, o toque vaginal é absolutamente contraindicado, pois pode provocar hemorragia maciça. O manejo depende da idade gestacional, da intensidade do sangramento e da estabilidade hemodinâmica da mãe e do feto. Em casos de sangramento intenso com instabilidade hemodinâmica materna (hipotensão, taquicardia) ou sofrimento fetal, a interrupção da gestação por cesariana de urgência é mandatória, independentemente da idade gestacional. A estabilização materna com reposição volêmica e, se necessário, transfusão de hemoderivados, deve ser iniciada imediatamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais que diferenciam placenta prévia de descolamento prematuro de placenta (DPP)?

Na placenta prévia, o sangramento é tipicamente vermelho vivo, indolor, de início súbito e o tônus uterino é normal. No DPP, o sangramento é frequentemente escuro, acompanhado de dor abdominal intensa, hipertonia uterina ('útero de Couvelaire') e pode haver sofrimento fetal agudo.

Por que a fertilização in vitro (FIV) é um fator de risco para placenta prévia?

A FIV está associada a um maior risco de placenta prévia, possivelmente devido a alterações endometriais decorrentes da estimulação ovariana ou à própria técnica de transferência do embrião, que pode favorecer a implantação em porções mais baixas do útero.

Qual a conduta em uma paciente com placenta prévia e sangramento mínimo, hemodinamicamente estável?

Se a paciente estiver estável, o feto for prematuro e o sangramento cessar ou for mínimo, a conduta pode ser expectante com internação hospitalar, monitoramento materno-fetal rigoroso e corticoterapia para maturação pulmonar fetal. O parto é programado eletivamente por cesárea por volta de 36-37 semanas.

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