UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Gestante de 45 anos, GV-PIV-A0, quatro cesarianas prévias, é atendida na emergência em 15/11/2014 com quadro de sangramento vaginal de moderada intensidade, iniciado há 40 minutos. A paciente refere dois episódios prévios de sangramento nessa gestação, de menor intensidade e que cessaram espontaneamente. Sem outras queixas. Ao exame obstétrico, apresenta: PA = 100 x 60mmHg; FC = 72bpm, hipocorada +/4+, hidratada, anictérica, acianótica; metrossístoles ausentes, tônus uterino normal; as manobras de Leopold evidenciam feto em apresentação córmica; cardiotocografia com padrão ondulatório e reativo, linha de base em 140bpm. O exame especular demonstra colo sem lesões, fechado, com sangramento vermelho vivo em moderada quantidade. A rotina de pré-natal não apresentou alterações, à exceção de anemia microcítica e hipocrômica, com último hematócrito de 32% e hemoglobina de 9g/dL. Os exames ultrassonográficos foram realizados conforme descrito a seguir: – Ultrassonografia de 04/06/2014: 12 semanas; – Ultrassonografia de 17/08/2014: 24 semanas; – Ultrassonografia de 25/09/2014: 30 semanas. Baseado no caso clínico descrito, responda: Cite duas complicações da patologia em questão, com exceção de óbito fetal e/ou materno.
Placenta prévia + cesarianas prévias → alto risco de acretismo placentário e hemorragia.
O caso descreve uma gestante com múltiplos fatores de risco para placenta prévia e acretismo placentário (idade avançada, multiparidade, cesarianas prévias), apresentando sangramento vaginal indolor. As complicações incluem hemorragia pós-parto grave e necessidade de histerectomia.
A placenta prévia é uma condição na qual a placenta se insere total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando muito próxima do orifício interno do colo uterino após 20 semanas de gestação. É uma das principais causas de sangramento vaginal indolor no segundo e terceiro trimestres. Fatores de risco incluem idade materna avançada, multiparidade, histórico de cesarianas prévias e cirurgias uterinas. O acretismo placentário, uma complicação grave da placenta prévia, ocorre quando as vilosidades coriônicas invadem o miométrio, impedindo a separação normal da placenta no parto. O quadro clínico típico da placenta prévia é o sangramento vaginal vermelho vivo, indolor e recorrente, como observado no caso. A presença de múltiplas cesarianas prévias aumenta exponencialmente o risco de acretismo placentário, que pode variar de acreta (invasão do miométrio), increta (penetração profunda no miométrio) a percreta (invasão através da serosa uterina ou órgãos adjacentes). O diagnóstico é primariamente ultrassonográfico, com a ressonância magnética sendo útil para avaliar a extensão do acretismo. As complicações da placenta prévia e acretismo são severas e incluem hemorragia pós-parto maciça, que pode levar à necessidade de transfusões sanguíneas e, em casos de acretismo, à histerectomia de emergência para controle do sangramento. Outras complicações são a prematuridade iatrogênica (devido à necessidade de parto antecipado), infecção puerperal e internação prolongada. O manejo exige uma equipe multidisciplinar e planejamento detalhado do parto, geralmente por cesariana eletiva, em um centro com recursos para lidar com grandes hemorragias.
Os principais fatores de risco incluem idade materna avançada, multiparidade, histórico de cesarianas prévias, curetagens uterinas, cirurgias uterinas e tabagismo.
As complicações incluem hemorragia pós-parto maciça, necessidade de transfusões sanguíneas, histerectomia de emergência, prematuridade e infecção puerperal.
O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia, que pode identificar a localização da placenta e sinais de invasão miometrial. A ressonância magnética pode ser usada em casos selecionados para melhor detalhamento.
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