Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024
Paciente com 26 semanas e 1 dia de gestação, com histórico de cirurgia para endometriose e miomectomia prévia há 2 anos. Há 2 horas refere que estava andando até que percebeu sangramento genital moderado. Nega dor abdominal. Ao exame físico paciente apresenta bom estado geral, abdômen indolor à palpação, dinâmica uterina ausente, batimentos cardíacos fetais = 135 bpm. Ao exame especular, presença de mínimo sangramento ativo, sangue coletado em pequena quantidade em fórnice posterior vaginal. Toque não realizado. A ultrassonografia apresentava a imagem abaixo:
Placenta prévia + sangramento indolor em 2º/3º trimestre → conduta expectante se estável e feto bem.
A placenta prévia é a principal causa de sangramento vaginal indolor no segundo e terceiro trimestres. O histórico de cirurgias uterinas, como miomectomia, aumenta o risco. O toque vaginal é contraindicado antes de afastar placenta prévia para evitar descolamento e hemorragia.
A placenta prévia é uma condição obstétrica grave caracterizada pela implantação da placenta sobre ou muito próxima ao orifício interno do colo uterino, sendo a principal causa de sangramento vaginal no segundo e terceiro trimestres da gestação. Sua prevalência é de aproximadamente 0,3% a 0,5% das gestações, e é crucial para residentes reconhecerem seus fatores de risco, como cirurgias uterinas prévias (miomectomia, cesarianas) e multiparidade, que aumentam significativamente a chance de sua ocorrência. O diagnóstico é feito principalmente pela ultrassonografia, que permite a localização exata da placenta. Clinicamente, manifesta-se por sangramento vaginal indolor, de início súbito, geralmente vermelho vivo e em volume variável. A ausência de dor abdominal e a presença de batimentos cardíacos fetais normais são características importantes. É fundamental evitar o toque vaginal antes de excluir a placenta prévia, devido ao risco de desencadear hemorragia. O manejo da placenta prévia depende da idade gestacional, da quantidade de sangramento e da vitalidade fetal. Em gestações pré-termo com sangramento leve e estável, a conduta é expectante, visando prolongar a gestação. Isso inclui repouso, monitorização materno-fetal e, se indicado, corticoterapia para maturação pulmonar fetal. A resolução por via alta (cesariana) é a regra, geralmente programada entre 36 e 37 semanas, ou de urgência em caso de sangramento profuso ou instabilidade hemodinâmica.
Os principais fatores de risco incluem cesariana anterior, cirurgias uterinas prévias (miomectomia), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo e gestação múltipla. A história de cirurgias uterinas é particularmente relevante, como no caso da paciente.
O tratamento expectante é apropriado quando o sangramento é leve ou cessa, a vitalidade fetal está preservada e a gestação não atingiu o termo. Inclui repouso, monitorização e, se necessário, corticoterapia para maturação pulmonar fetal.
O toque vaginal é contraindicado na suspeita de placenta prévia porque pode desencadear um descolamento da placenta e causar uma hemorragia maciça, colocando em risco a vida da mãe e do feto. A ultrassonografia transvaginal é o método diagnóstico seguro e eficaz.
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