UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Gestante de 27 semanas, com 3 cesáreas anteriores, apresenta sangramento vaginal discreto e indolor. Exame físico: BEG, eupneica, hidratada, PA: 115/75 mmHg, FC materna 80 bpm, AU no percentil 50, ausência de dinâmica uterina em 10 minutos, tônus uterino normal, BCF 146 bpm. Exame especular: discreta quantidade de sangue vermelho vivo coletado em fundo de saco, colo puntiforme, ausência de lesões vaginais e cervicais. A hipótese diagnóstica é:
Sangramento vaginal indolor no 2º/3º trimestre, especialmente com cesáreas prévias = Placenta Prévia até prova em contrário.
A placenta prévia é a principal causa de sangramento vaginal indolor no segundo e terceiro trimestres da gestação. A presença de cesáreas anteriores é um fator de risco significativo, aumentando a chance de implantação anômala da placenta. O quadro clínico descrito é clássico para essa condição.
A placenta prévia é uma condição obstétrica grave caracterizada pela implantação da placenta total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando muito próxima do orifício interno do colo uterino. É uma das principais causas de sangramento vaginal no segundo e terceiro trimestres da gestação, afetando aproximadamente 0,3% a 0,5% das gestações. Sua importância clínica reside no risco de hemorragia materna grave e prematuridade fetal. A fisiopatologia da placenta prévia está ligada a fatores que alteram a vascularização do endométrio ou a área de implantação. Fatores de risco incluem história de cesariana anterior (o risco aumenta exponencialmente com o número de cesáreas), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, curetagem uterina prévia e gestação múltipla. O sangramento ocorre devido ao descolamento de parte da placenta à medida que o segmento inferior do útero se forma e se dilata no final da gestação ou durante o trabalho de parto. O diagnóstico é primariamente feito por ultrassonografia transvaginal, que é mais precisa que a transabdominal. O manejo da placenta prévia depende da idade gestacional, da quantidade de sangramento e do tipo de placenta prévia. Em casos de sangramento leve e gestação pré-termo, a conduta pode ser expectante, com repouso e monitoramento. Em gestações a termo ou com sangramento intenso, a interrupção da gestação por cesariana é geralmente indicada, sendo a via vaginal contraindicada em placenta prévia total ou parcial.
A placenta prévia classicamente se manifesta como sangramento vaginal indolor, de cor vermelho vivo, que ocorre geralmente no segundo ou terceiro trimestre da gestação. O sangramento pode ser intermitente e de intensidade variável, sem estar associado a dor abdominal ou contrações uterinas.
Os principais fatores de risco incluem cesarianas anteriores (o risco aumenta com o número de cesáreas), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, gestação múltipla e história prévia de placenta prévia.
A diferenciação é crucial: a placenta prévia causa sangramento indolor, com útero relaxado e sem sofrimento fetal agudo. A DPP, por outro lado, cursa com sangramento geralmente acompanhado de dor abdominal intensa, útero hipertenso e taquissistolia, além de sinais de sofrimento fetal. O ultrassom é fundamental para o diagnóstico definitivo.
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