Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Uma gestante (G4 PC3 A1), com idade gestacional de 36 semanas e quatro dias, ao exame ultrassonográfico, apresenta feto único e vivo, em situação transversa. Biometria fetal de 34 semanas e seis dias e peso fetal estimado de 2.377 g no percentil entre 10 e 50 (curva de Hadlock). Líquido amniótico normal, com maior bolsão vertical de 38 mm. A placenta estende-se anterior e posteriormente, recobrindo o colo uterino, com sinais de invasão do miométrio. Colo uterino e Dopplervelocimetria mostram vascularização anômala, sugerindo invasão vesical na topografia da cicatriz das cesarianas prévias.Nesse caso hipotético, o diagnóstico é o de placenta prévia
Placenta prévia com invasão vesical = percretismo placentário.
O caso descreve uma placenta que recobre totalmente o colo uterino (placenta prévia centro-total) e, mais criticamente, apresenta sinais de invasão do miométrio e da bexiga. A invasão do miométrio é chamada de acretismo, e quando a invasão se estende para órgãos adjacentes, como a bexiga, é classificada como percretismo placentário, a forma mais grave do espectro de acretismo.
A placenta prévia é uma condição obstétrica em que a placenta se insere total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo uterino. A forma centro-total, onde a placenta recobre completamente o colo, é a mais grave. No entanto, a complexidade aumenta significativamente quando há suspeita de acretismo placentário, uma condição em que há aderência anormal da placenta ao miométrio, com ausência total ou parcial da decídua basal. O espectro de acretismo placentário inclui acretismo (invasão do miométrio), incretismo (invasão mais profunda no miométrio) e percretismo (invasão que atravessa o miométrio, atingindo a serosa ou órgãos adjacentes, como a bexiga). O histórico de cesarianas prévias é o principal fator de risco para o acretismo, e a combinação de placenta prévia e cesariana prévia eleva dramaticamente o risco. O diagnóstico é frequentemente feito por ultrassonografia com Doppler, que pode revelar sinais de invasão miometrial e vascularização anômala. O manejo do percretismo placentário é complexo e exige uma equipe multidisciplinar. Devido ao alto risco de hemorragia maciça, o parto geralmente é planejado por cesariana com histerectomia em um centro de referência. A identificação precoce e o planejamento adequado são cruciais para otimizar os resultados maternos e fetais, minimizando complicações potencialmente fatais.
O acretismo placentário é classificado em três tipos, de acordo com a profundidade da invasão: acretismo (invasão do miométrio), incretismo (invasão mais profunda no miométrio, mas sem atingir a serosa) e percretismo (invasão que atravessa o miométrio, atingindo a serosa ou órgãos adjacentes, como bexiga ou intestino).
Os principais fatores de risco para o acretismo placentário incluem placenta prévia (especialmente centro-total), histórico de cesarianas anteriores (quanto maior o número, maior o risco), curetagens uterinas prévias e idade materna avançada. A combinação de placenta prévia e cesariana prévia é o cenário de maior risco.
O percretismo é frequentemente diagnosticado por ultrassonografia com Doppler, que pode mostrar perda da zona hipoecogênica retroplacentária, lacunas vasculares e vascularização anômala. A ressonância magnética pode ser útil para avaliar a extensão da invasão. A conduta geralmente envolve planejamento de parto cesariana com histerectomia, devido ao alto risco de hemorragia grave.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo