Placenta Prévia: Diagnóstico e Manejo no Terceiro Trimestre

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante lúcida e orientada deu entrada na maternidade com quadro de gestação de 36 semanas e sangramento vaginal vermelho vivo moderado com início há 1 hora, sem outras queixas. Ao exame, mucosas levemente hipocoradas, PA = 110 x 60 mmHg, BCF = 130 bpm, útero gravídico com fundo uterino de 32 cm do púbis. No exame especular observou-se colo com canal, orifício externo fechado com sangue. O diagnóstico mais provável é

Alternativas

  1. A) Descolamento prematuro da placenta.
  2. B) Placenta prévia.
  3. C) Rotura uterina.
  4. D) Gestação molar.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal vermelho vivo indolor no terceiro trimestre com BCF normal = suspeitar de placenta prévia.

Resumo-Chave

A placenta prévia é caracterizada por sangramento vaginal vermelho vivo, indolor e intermitente no terceiro trimestre, sem sinais de sofrimento fetal ou hipertonia uterina. O útero geralmente está relaxado e o BCF normal, diferenciando-a do descolamento prematuro de placenta, que cursa com dor, hipertonia e alterações do BCF.

Contexto Educacional

A placenta prévia é uma condição obstétrica na qual a placenta se insere total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando muito próxima do orifício interno do colo. Sua incidência varia de 0,3% a 0,5% das gestações e é uma das principais causas de sangramento vaginal no terceiro trimestre, podendo levar a morbimortalidade materna e fetal significativa. Fatores de risco incluem multiparidade, cesáreas anteriores, idade materna avançada e tabagismo. A fisiopatologia do sangramento na placenta prévia ocorre devido ao descolamento de parte da placenta do segmento inferior do útero, que se forma e se dilata progressivamente no terceiro trimestre. O diagnóstico é feito pela ultrassonografia, que deve ser realizada rotineiramente no segundo trimestre para localizar a placenta. Em casos de sangramento, a ultrassonografia transvaginal é o método mais preciso para confirmar o diagnóstico e classificar o tipo de placenta prévia. O manejo da placenta prévia depende da idade gestacional, da quantidade de sangramento e do estado materno-fetal. Em gestações pré-termo com sangramento leve, o manejo pode ser expectante, com repouso e monitoramento. Em sangramentos intensos ou gestação a termo, a interrupção da gestação por cesariana é indicada. O prognóstico materno e fetal melhorou com o diagnóstico precoce e o manejo adequado, mas ainda há riscos de hemorragia pós-parto e acretismo placentário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da placenta prévia?

A placenta prévia tipicamente se manifesta como sangramento vaginal vermelho vivo, indolor e intermitente no segundo ou terceiro trimestre da gestação. Não há dor abdominal, hipertonia uterina ou sofrimento fetal agudo, a menos que haja complicações.

Como diferenciar placenta prévia de descolamento prematuro de placenta (DPP)?

A placenta prévia cursa com sangramento indolor e útero relaxado, enquanto o DPP é caracterizado por dor abdominal súbita e intensa, sangramento (que pode ser oculto), hipertonia uterina e, frequentemente, sinais de sofrimento fetal.

Qual a conduta inicial para uma gestante com suspeita de placenta prévia?

A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica da mãe, monitoramento fetal rigoroso (BCF), e confirmação diagnóstica por ultrassonografia transvaginal para localizar a placenta. O toque vaginal é contraindicado até que a placenta prévia seja excluída.

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