UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Gestante, 30 anos, G3P2A0, 2 cesarianas prévias, idade gestacional atual de 34 semanas; apresenta sangramento genital avermelhado, indolor, moderada quantidade; tônus uterino normal. US gestacional revela placenta oclusiva, centro-total. Qual conduta a seguir?
Placenta prévia + sangramento indolor + cesariana prévia → Internar, conduta conservadora e investigar acretismo.
Em gestantes com placenta prévia e sangramento, especialmente com histórico de cesarianas, a principal preocupação é o acretismo placentário. A conduta inicial é conservadora, visando prolongar a gestação, mas a investigação do acretismo é crucial para o planejamento do parto.
A placenta prévia é uma condição obstétrica caracterizada pela implantação da placenta sobre ou muito próxima ao orifício interno do colo uterino, sendo a principal causa de sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre. Sua incidência varia, mas é maior em multíparas, gestantes com cesarianas prévias e idade materna avançada. É crucial reconhecer sua importância devido ao risco de hemorragia materna e morbimortalidade perinatal. A fisiopatologia envolve a implantação anormal do blastocisto. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal. Em casos de placenta prévia com sangramento, especialmente em gestantes com cesarianas prévias, deve-se suspeitar de acretismo placentário, uma condição onde a placenta adere anormalmente ao miométrio. A ultrassonografia com Doppler e, em alguns casos, a ressonância magnética são ferramentas essenciais para avaliar o grau de invasão placentária. O tratamento da placenta prévia com sangramento é inicialmente conservador em gestações pré-termo e com sangramento não maciço, visando prolongar a gestação para maturação fetal. Isso inclui internação, repouso, corticoesteroides para maturação pulmonar e tocolíticos se houver contrações. O parto, geralmente por cesariana eletiva, é planejado para 36-37 semanas. Em casos de acretismo, o parto deve ser realizado em centro especializado com equipe multidisciplinar devido ao alto risco de hemorragia.
A placenta prévia tipicamente se manifesta como sangramento vaginal indolor, de coloração vermelho vivo, geralmente no segundo ou terceiro trimestre da gestação. O tônus uterino costuma ser normal, diferenciando-a do descolamento prematuro de placenta.
O acretismo placentário, especialmente em gestantes com cesarianas prévias, aumenta significativamente o risco de hemorragia maciça e histerectomia no parto. Sua identificação prévia permite um planejamento adequado da equipe e do local do parto, otimizando a segurança materno-fetal.
A conduta inicial é a internação hospitalar para observação, repouso, monitoramento materno-fetal e, se a gestação for pré-termo, a administração de corticoesteroides para maturação pulmonar fetal, buscando prolongar a gestação até a viabilidade ou termo.
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