Placenta Prévia: Manejo Clínico e Corticoterapia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma paciente secundigesta, com idade gestacional de 30 semanas e pré-natal realizado em Unidade Básica de Saúde, vinha evoluindo sem anormalidades até o momento em que deu entrada no pronto-socorro com queixa de cólicas e sangramento vaginal há duas horas. Ao exame apresenta: bom estado geral, normocorada, pressão arterial = 120 × 70 mmHg, frequência cardíaca = 80 bpm, dinâmica uterina ausente, ausculta fetal = 136 bpm. O exame especular evidencia sangramento discreto pelo orifício do colo uterino. A ultrassonografia é compatível com placenta prévia. A conduta indicada para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) Recomendar repouso domiciliar e administrar tocolíticos por via oral.
  2. B) Encaminhar para maternidade para realização de cesárea de urgência.
  3. C) Encaminhar para maternidade para realização de cerclagem do colo uterino.
  4. D) Internar a paciente para monitorização e corticoterapia para maturação pulmonar fetal.

Pérola Clínica

Placenta prévia estável < 37 sem → Internação + Corticoide + Expectante (se sangramento discreto).

Resumo-Chave

Em casos de placenta prévia com sangramento discreto e estabilidade hemodinâmica em gestações pré-termo, a conduta deve ser conservadora, visando a viabilidade fetal através da maturação pulmonar.

Contexto Educacional

A placenta prévia é definida pela implantação da placenta no segmento inferior do útero, cobrindo total ou parcialmente o orifício interno do colo. É uma das principais causas de sangramento na segunda metade da gestação. O quadro clínico clássico é de sangramento vaginal indolor, rutilante, de início súbito e episódico. O manejo depende fundamentalmente da idade gestacional e da intensidade do sangramento. Se a paciente está hemodinamicamente estável e o feto não apresenta sinais de sofrimento, a internação para vigilância e administração de corticoides é a conduta padrão ouro para casos pré-termo. O repouso e a abstinência sexual são recomendações cruciais para evitar novos episódios de sangramento.

Perguntas Frequentes

Quando interromper a gestação na placenta prévia?

A interrupção imediata (geralmente via cesárea) está indicada em casos de hemorragia materna grave com instabilidade hemodinâmica, sofrimento fetal agudo ou quando a gestação atinge o termo (37 semanas). Em pacientes estáveis com sangramento controlado, a conduta é expectante até 36-37 semanas para reduzir riscos de prematuridade.

Qual o papel da corticoterapia neste cenário?

A corticoterapia antenatal (Betametasona ou Dexametasona) é fundamental entre 24 e 34 semanas de gestação (podendo ser estendida até 36 semanas em alguns protocolos) para acelerar a produção de surfactante pulmonar fetal, reduzindo a incidência de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante no recém-nascido pré-termo.

Por que a cerclagem não é indicada aqui?

A cerclagem cervical é um procedimento indicado para insuficiência istmocervical (perda fetal recorrente por colo curto/aberto no segundo trimestre). Na placenta prévia, o problema é a localização anômala da placenta sobre o orifício interno do colo; realizar cerclagem nesse contexto aumentaria drasticamente o risco de hemorragia catastrófica e trauma placentário.

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