Placenta Prévia: Diagnóstico e Manejo Clínico

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Gestante de 32 anos, G3P2 (dois partos cesáreos prévios), com idade gestacional de 34 semanas, procura a maternidade com queixa de sangramento vaginal de início súbito, em moderada quantidade, de cor vermelho-rutilante. Relata que o sangramento ocorreu enquanto estava em repouso e não é acompanhado de dor abdominal. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, hemodinamicamente estável, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg e frequência cardíaca de 82 bpm. O exame obstétrico revela útero relaxado, indolor à palpação, com tônus normal e batimentos cardíacos fetais de 148 bpm. O exame especular confirma a presença de sangue vivo em fundo de saco vaginal, sem outras lesões aparentes. O diagnóstico mais provável, o exame contraindicado e a conduta inicial são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Placenta prévia; toque vaginal; internação para vigilância e corticoterapia.
  2. B) Rotura uterina; palpação abdominal; laparotomia imediata.
  3. C) Rotura de vasa prévia; exame especular; amniotomia e parto vaginal.
  4. D) Descolamento prematuro de placenta; ultrassonografia; cesariana de urgência.

Pérola Clínica

Sangramento indolor + vermelho-rutilante + útero relaxado = Placenta Prévia. Toque vaginal é proibido!

Resumo-Chave

A placenta prévia manifesta-se tipicamente como sangramento indolor e espontâneo. O toque vaginal pode causar hemorragia maciça ao descolar a placenta, sendo substituído pelo exame especular e ultrassonografia.

Contexto Educacional

A placenta prévia ocorre quando a placenta se implanta no segmento inferior do útero, cobrindo total ou parcialmente o orifício interno do colo. É uma das principais causas de hemorragia na segunda metade da gestação, associada a fatores de risco como cesáreas prévias, multiparidade e idade materna avançada. O diagnóstico é clínico-ultrassonográfico, sendo a ultrassonografia transvaginal o padrão-ouro para localização placentária. O manejo clínico depende da idade gestacional, da intensidade do sangramento e do bem-estar materno-fetal. Em casos de estabilidade e prematuridade (como o caso de 34 semanas), a vigilância hospitalar visa prolongar a gestação até a viabilidade ou termo, utilizando corticoides para reduzir morbidade neonatal. A via de parto na placenta prévia total ou parcial é obrigatoriamente a cesariana, devido ao risco de hemorragia incoercível durante a dilatação cervical.

Perguntas Frequentes

Por que o toque vaginal é contraindicado na suspeita de placenta prévia?

O toque vaginal pode perfurar a placenta ou causar um descolamento mecânico adicional na região cervical, levando a uma hemorragia materna e fetal catastrófica e imediata. O diagnóstico deve ser confirmado por ultrassonografia e a avaliação do sangramento feita apenas por exame especular cuidadoso.

Qual a conduta em placenta prévia com feto pré-termo e estabilidade materna?

A conduta é conservadora: internação para vigilância hemodinâmica, repouso, monitorização fetal e administração de corticoterapia antenatal (como betametasona) para acelerar a maturação pulmonar fetal, visando reduzir riscos de síndrome do desconforto respiratório se o parto ocorrer precocemente.

Como diferenciar placenta prévia de descolamento prematuro de placenta (DPP)?

Na placenta prévia o sangramento é indolor, de cor vermelho-rutilante e o útero apresenta tônus normal (relaxado). No DPP, o sangramento costuma ser escuro, acompanhado de dor abdominal intensa, hipertonia uterina (útero lenhoso) e sinais de sofrimento fetal agudo.

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