ENARE/ENAMED — Prova 2022
Paciente, 31 anos, está na 29ª semana de sua terceira gestação, com duas cesáreas anteriores, e vem ao pronto-socorro queixando-se de sangramento vermelho vivo, sem esforço desencadeante, em pequena quantidade, não associado à dor. Ao exame físico, apresenta útero com tônus preservado, altura uterina de 28 cm; Cardiotocografia Categoria II. Exame especular: visualizado o sangramento uterino ativo em pequena a moderada quantidade. Com base na história clínica da paciente, é sugerido um caso de
Sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, no 3º trimestre, com cesáreas prévias → suspeitar de placenta prévia.
Placenta prévia é a implantação da placenta sobre ou próxima ao orifício interno do colo uterino, manifestando-se classicamente como sangramento vaginal indolor no segundo ou terceiro trimestre, sendo o número de cesáreas anteriores um importante fator de risco.
A placenta prévia é uma condição obstétrica séria caracterizada pela implantação da placenta total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo uterino. É uma das principais causas de sangramento vaginal no segundo e terceiro trimestres da gestação, com uma incidência que varia de 0,3% a 0,5% das gestações, e é um fator de risco significativo para morbimortalidade materna e perinatal. Clinicamente, a placenta prévia manifesta-se tipicamente como sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, que pode ser intermitente e de intensidade variável. A presença de cesáreas anteriores é um dos fatores de risco mais importantes, pois a cicatriz uterina pode predispor à implantação placentária em uma área de menor vascularização. Outros fatores incluem multiparidade, idade materna avançada e tabagismo. Ao exame físico, o útero geralmente apresenta tônus preservado e não há dor abdominal associada, diferenciando-a de outras causas de sangramento como o descolamento prematuro de placenta. O diagnóstico definitivo é feito por ultrassonografia, que permite a localização precisa da placenta. É imperativo evitar o toque vaginal em casos de sangramento do terceiro trimestre até que a placenta prévia seja excluída, devido ao risco de desencadear hemorragia maciça. O manejo depende da idade gestacional, da quantidade de sangramento e do tipo de placenta prévia, podendo variar de conduta expectante com repouso e monitorização a parto cesariano de urgência em casos de sangramento intenso ou instabilidade materna.
A placenta prévia pode ser classificada em total (cobre completamente o orifício interno), parcial (cobre parcialmente), marginal (atinge a margem do orifício interno) ou de inserção baixa (próxima ao orifício, mas não o atinge).
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica da mãe, monitorização fetal e, crucialmente, a realização de ultrassonografia para confirmar o diagnóstico e localizar a placenta, evitando o toque vaginal até que a placenta prévia seja excluída.
Os principais fatores de risco incluem cesáreas anteriores, multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, gestação múltipla e história prévia de placenta prévia.
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