FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Quartigesta, 42 anos de idade, com 3 partos cesáreos anteriores, tabagista, hipertensa crônica, com história obstétrica de ocorrência de pré-eclâmpsia grave nas duas últimas gestações. Encontra-se na 28ª semana de gestação, sem intercorrências e faz suas consultas de rotina no pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Retorna hoje para trazer o resultado dos exames solicitados há 15 dias. Está ansiosa devido resultado do exame ultrassonográfico, que mostrou placenta prévia centro-total. De acordo com esses dados, responda, respectivamente, qual é o principal fator de risco citado no caso para a ocorrência dessa patologia gravídica, qual complicação pode estar associada a esta patologia e qual exame complementar deverá ser solicitado para diagnóstico da possível complicação:
Cesarianas prévias são o principal fator de risco para placenta prévia, que aumenta o risco de acretismo placentário, diagnosticado por ressonância magnética.
A história de cesarianas prévias é o fator de risco mais significativo para placenta prévia, e a coexistência dessas duas condições eleva drasticamente o risco de acretismo placentário. A ressonância magnética é o exame complementar de escolha para confirmar e estadiar o acretismo.
A placenta prévia é uma condição obstétrica grave caracterizada pela implantação da placenta sobre ou muito próxima ao orifício interno do colo uterino após 28 semanas de gestação. Sua principal complicação é o sangramento vaginal indolor no segundo ou terceiro trimestre. A prevalência tem aumentado devido ao aumento das taxas de cesariana, que é o fator de risco mais significativo. A fisiopatologia da placenta prévia está ligada à implantação anormal do blastocisto. Quando a placenta prévia coexiste com uma cicatriz uterina (especialmente de cesariana), o risco de acretismo placentário aumenta exponencialmente. O acretismo é a aderência anormal da placenta ao miométrio, podendo ser increta (invasão do miométrio) ou percreta (invasão através do miométrio para órgãos adjacentes). O diagnóstico inicial é feito por ultrassonografia, mas a ressonância magnética é crucial para confirmar e estadiar o acretismo. O manejo da placenta prévia e do acretismo placentário é complexo e exige uma equipe multidisciplinar. Em casos de placenta prévia sem acretismo, o parto cesáreo eletivo é geralmente indicado. Na presença de acretismo, o planejamento do parto é ainda mais crítico, frequentemente envolvendo uma histerectomia periparto para evitar hemorragia maciça, que é a principal causa de morbimortalidade materna. O reconhecimento precoce dos fatores de risco e o diagnóstico preciso são fundamentais para otimizar os resultados.
Os principais fatores de risco incluem história de cesariana anterior (o mais importante), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, gestação múltipla, curetagem uterina prévia e história de placenta prévia em gestação anterior.
A placenta prévia, especialmente quando associada a uma cicatriz uterina (como de cesariana anterior), favorece a implantação anormal da placenta. A ausência ou deficiência da decídua basal na área da cicatriz permite que as vilosidades coriônicas invadam o miométrio, resultando em acretismo.
A ressonância magnética (RM) é o exame complementar de escolha para confirmar o diagnóstico e estadiar a profundidade da invasão do acretismo placentário, especialmente em casos de ultrassonografia inconclusiva. Ela oferece melhor visualização dos planos teciduais e da extensão da invasão miometrial ou de órgãos adjacentes.
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