Acretismo Placentário: Risco em Placenta Prévia e Cesariana

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Gestante, tercigesta e secundípara (duas cesarianas anteriores), 33 anos, 32ª semana de gravidez, veio à consulta de emergência com queixa de sangramento súbito, sendo o primeiro episódio. Nega outros sintomas, incluindo perda de líquido amniótico. Ao exame, estado geral bom, batimentos cárdio fetais de 146 bpm, dinâmica uterina ausente, com útero de consistência normal e altura de fundo uterino de 28 cm. O exame especular mostra colo regular, com orifício cervical externo em fenda, fechado, saindo sangramento vermelho vivo em pequena quantidade. O médico assistente pensou na principal hipótese diagnóstica e solicitou os exames necessários para esclarecimento, a qual foi confirmada. Após internamento, o sangramento parou. Pensando em uma possível complicação, o médico assistente ficou inquieto.Assinale a alternativa que sugere a principal complicação que foi pensada.

Alternativas

  1. A) Placenta prévia.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta.
  3. C) Rotura de vasa prévia.
  4. D) Rotura de seio marginal.
  5. E) Acretismo placentário.

Pérola Clínica

Placenta prévia em útero cicatricial (cesarianas prévias) → alto risco de acretismo placentário e hemorragia pós-parto.

Resumo-Chave

O caso descreve uma gestante com sangramento indolor no terceiro trimestre, dinâmica uterina ausente e útero de consistência normal, o que é altamente sugestivo de placenta prévia. O histórico de duas cesarianas anteriores é um fator de risco importante para placenta prévia e, principalmente, para a complicação mais grave associada a ela: o acretismo placentário, que pode levar a hemorragia maciça no parto.

Contexto Educacional

O sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre de gravidez, como descrito no caso, é o sintoma clássico da placenta prévia. A placenta prévia ocorre quando a placenta se insere total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando muito próxima do orifício interno do colo uterino. É uma condição que exige monitoramento rigoroso e planejamento cuidadoso do parto. A inquietação do médico assistente, mesmo após a estabilização do sangramento, é justificada pelo histórico da paciente: tercigesta e secundípara com duas cesarianas anteriores. Este é um fator de risco extremamente importante para uma complicação grave da placenta prévia: o acretismo placentário. O acretismo placentário é a invasão anormal do miométrio pelo trofoblasto, devido à deficiência ou ausência da decídua basal, frequentemente associada à presença de cicatrizes uterinas prévias, como as de cesariana. O acretismo placentário é classificado em acreta (invasão do miométrio), increta (invasão mais profunda no miométrio) e percreta (invasão através da serosa uterina, podendo atingir órgãos adjacentes). Sua principal complicação é a hemorragia maciça no momento da tentativa de dequitação placentária, que pode levar a choque hipovolêmico, necessidade de transfusões maciças e, em muitos casos, histerectomia periparto para salvar a vida materna. O diagnóstico pré-natal por ultrassonografia e ressonância magnética é crucial para o planejamento do parto em centros especializados.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre placenta prévia e acretismo placentário?

A placenta prévia, especialmente quando localizada sobre uma cicatriz de cesariana anterior, é o principal fator de risco para o acretismo placentário. A ausência ou deficiência da decídua basal na área da cicatriz permite a invasão trofoblástica anormal do miométrio.

Quais são os fatores de risco para acretismo placentário?

Os principais fatores de risco incluem placenta prévia (especialmente anterior), cesarianas anteriores (o risco aumenta com o número de cesarianas), curetagens uterinas prévias, miomectomia e idade materna avançada.

Por que o acretismo placentário é uma complicação tão preocupante?

O acretismo placentário é preocupante devido ao alto risco de hemorragia maciça no momento do parto, que pode levar a choque hipovolêmico, coagulopatia, necessidade de transfusões sanguíneas volumosas e, frequentemente, histerectomia de emergência, com morbimortalidade materna significativa.

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