Placenta Prévia: Diagnóstico, Sinais e Conduta Obstétrica

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 35 semanas, 2G 1P (1 cesárea), apresenta sangramento vaginal de moderada intensidade há 30 minutos. Refere episódios prévios de sangramento com 29 e 31 semanas. Ao exame físico: regular estado geral, afebril, PA 90 x 60 mmHg, FC 110 bpm, altura uterina 32 cm, FCF 140 bpm, tônus uterino normal, ausência de contrações. Ao exame especular observa-se sangramento intenso pelo colo uterino e coágulos em fundo de saco. O diagnóstico e a conduta obstétrica são:

Alternativas

  1. A) rotura de seio marginal; reposição volêmica e repouso
  2. B) placenta prévia; reposição volêmica e cesárea
  3. C) placenta prévia; corticoterapia e repouso
  4. D) descolamento prematuro da placenta; amniotomia e cesárea
  5. E) hemorragia de segunda metade da gestação; indução de parto.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal indolor, recorrente, em 2ª metade da gestação, com feto bem → Placenta Prévia.

Resumo-Chave

Placenta prévia se manifesta tipicamente com sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, na segunda metade da gestação. A presença de cesárea anterior é um fator de risco importante, e a conduta em gestação avançada com sangramento ativo é a cesariana.

Contexto Educacional

A placenta prévia é uma condição obstétrica grave caracterizada pela implantação da placenta total ou parcialmente no segmento inferior do útero, cobrindo ou estando muito próxima do orifício interno do colo uterino. É uma das principais causas de hemorragia na segunda metade da gestação, com uma incidência que varia de 0,3% a 0,5% das gestações. Sua importância clínica reside no risco de hemorragia materna grave, que pode levar a choque hipovolêmico, e no risco de prematuridade e morbimortalidade perinatal. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas fatores como cesárea anterior, multiparidade e idade materna avançada aumentam o risco. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por sangramento vaginal indolor, vermelho vivo e recorrente na segunda metade da gestação, e confirmado por ultrassonografia transvaginal. É crucial diferenciar da descolamento prematuro de placenta (DPP), que cursa com dor e hipertonia uterina. A presença de uma cesárea anterior aumenta significativamente o risco de placenta prévia e, consequentemente, de acretismo placentário. O tratamento depende da idade gestacional, da intensidade do sangramento e do bem-estar materno-fetal. Em casos de gestação a termo ou sangramento intenso com instabilidade hemodinâmica, a conduta é a interrupção da gestação por cesariana. Em gestações pré-termo com sangramento leve e estável, pode-se optar por conduta expectante, com repouso e monitorização. O prognóstico materno e fetal melhora com o diagnóstico precoce e manejo adequado, mas a placenta prévia continua sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para placenta prévia?

Os principais fatores de risco incluem cesárea anterior (o mais importante), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, uso de cocaína, gestação múltipla e curetagem uterina prévia.

Como diferenciar clinicamente a placenta prévia do descolamento prematuro de placenta (DPP)?

A placenta prévia tipicamente causa sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, com tônus uterino normal e feto geralmente sem sofrimento. A DPP, por outro lado, cursa com dor abdominal intensa, hipertonia uterina ('útero de madeira') e sofrimento fetal.

Qual a conduta obstétrica inicial em caso de placenta prévia com sangramento ativo em gestação avançada?

Em gestação avançada (acima de 34 semanas) com sangramento ativo e instabilidade hemodinâmica materna, a conduta é a interrupção da gestação por cesariana de emergência, após estabilização volêmica da mãe.

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