Placenta Prévia: Diagnóstico e Conduta na Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Uma paciente de 25 anos de idade, gesta = 2, para = 1 (1 cesariana há 3 anos), com 32 semanas de gestação, chega à emergência de um hospital referindo sangramento vaginal há 2 horas. Ao exame, apresenta sinais vitais estáveis, pressão arterial = 130 x 80 mmHg, ausência de dinâmica uterina, batimentos cardiofetais de 150 bpm e útero indolor à palpação. Ao exame especular, foi observado sangramento de moderada quantidade fluindo pelo colo. Nessa situação qual o diagnóstico mais provável e qual a conduta a seguir?

Alternativas

  1. A) Vasa prévia; realizar reposição volêmica e indicar cesariana de emergência.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta; realizar reposição volêmica e indicar cesariana de emergência.
  3. C) Placenta prévia; realizar toque vaginal e, se houver dilatação, fazer a internação da paciente e solicitar ultrassonografia.
  4. D) Descolamento prematuro de placenta; solicitar ultrassonografia para confirmação diagnóstica e avaliação do bem-estar fetal.
  5. E) Placenta prévia; realizar internação para monitorização do sangramento e solicitar ultrassonografia para avaliação do bem-estar fetal.

Pérola Clínica

Sangramento indolor + Útero relaxado + Estabilidade hemodinâmica = Placenta Prévia.

Resumo-Chave

A placenta prévia manifesta-se com sangramento indolor no 3º trimestre; em pacientes estáveis e fetos prematuros, a conduta é internação para vigilância e confirmação ultrassonográfica.

Contexto Educacional

A placenta prévia é definida como a presença de tecido placentário que recobre ou está muito próximo ao orifício interno do colo do útero, diagnosticada após 28 semanas de gestação. É uma das principais causas de hemorragia na segunda metade da gravidez. Os fatores de risco incluem cesariana prévia, multiparidade, idade materna avançada e tabagismo. O diagnóstico é clínico, caracterizado por sangramento vaginal indolor, e confirmado por ultrassonografia transabdominal ou transvaginal (sendo esta última segura e mais precisa). O manejo depende da intensidade do sangramento, da idade gestacional e do estado hemodinâmico. Se houver sangramento intenso ou instabilidade, a interrupção da gravidez por cesariana é mandatória. Em casos estáveis e prematuros, adota-se a conduta expectante. É crucial diferenciar a PP do descolamento prematuro de placenta e da rotura de vasa prévia, esta última caracterizada por sangramento imediato após a rotura das membranas com rápido sofrimento fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença clínica entre Placenta Prévia e DPP?

A principal diferença reside na dor e no tônus uterino. Na Placenta Prévia (PP), o sangramento é tipicamente indolor, de início súbito, cor vermelho-rutilante e o útero apresenta-se relaxado (tônus normal). Já no Descolamento Prematuro de Placenta (DPP), o sangramento (quando visível) costuma ser acompanhado de dor abdominal intensa, hipertonia uterina (útero lenhoso) e, frequentemente, sofrimento fetal agudo ou instabilidade hemodinâmica materna desproporcional ao sangramento visível.

Por que o toque vaginal é contraindicado na suspeita de placenta prévia?

O toque vaginal é formalmente contraindicado até que a localização placentária seja confirmada por ultrassonografia. Se a placenta estiver inserida sobre o colo uterino, a introdução do dedo no canal cervical pode causar o descolamento de uma porção da placenta ou romper vasos calibrosos, levando a uma hemorragia profusa e imediata, colocando em risco a vida da mãe e do feto. O exame especular, realizado com cuidado, é o método de escolha para confirmar a origem do sangramento.

Qual a conduta na placenta prévia com feto prematuro e mãe estável?

Em casos de placenta prévia com sangramento moderado, mas com estabilidade hemodinâmica materna e bem-estar fetal preservado em gestações pré-termo (como o caso de 32 semanas), a conduta preferencial é a internação hospitalar para manejo conservador. Isso inclui repouso, monitorização do sangramento, avaliação da vitalidade fetal e, se necessário, corticoterapia para maturação pulmonar fetal. O objetivo é prolongar a gestação até a maturidade, desde que a segurança materno-fetal seja mantida.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo