Placenta Prévia: Diagnóstico e Conduta no Sangramento Vaginal

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 31 anos, GIIPIA0, com uma cesariana prévia, é atendida na emergência em 27/08/2019, com quadro de sangramento vaginal de moderada intensidade, iniciado há 20 minutos. Refere três episódios prévios de sangramento nessa gestação, de menor intensidade, e que cessaram espontaneamente. Sem outras queixas. Informa DUM em 10/01/2019 e ultrassonografia de 20/03/2019, revelando idade gestacional de 12 semanas e 2 dias. Ao exame obstétrico, apresenta PA = 110 x 70mmHg, FC = 78bpm, hipocorada +/4+, hidratada, anictérica e acianótica; metrossístoles ausentes e tônus uterino normal; manobras de Leopold evidenciam feto em apresentação pélvica; cardiotocografia com padrão ondulatório e reativo, linha de base em 140bpm. O exame especular demonstra colo sem lesões, fechado, com sangramento vermelho vivo em quantidade moderada. A rotina de pré-natal não apresenta alterações, com exceção de anemia microcítica e hipocrômica, com último hematócrito = 32% e hemoglobina = 9g/dL. Com base no caso clínico descrito: Informe o exame complementar que confirmará o diagnóstico.

Alternativas

Pérola Clínica

Sangramento indolor, vermelho vivo, recorrente na 2ª metade da gestação = Placenta Prévia até prova em contrário.

Resumo-Chave

A placenta prévia é caracterizada por sangramento indolor e tônus uterino normal; o diagnóstico padrão-ouro é a ultrassonografia, preferencialmente transvaginal pela sua alta acurácia.

Contexto Educacional

O sangramento da segunda metade da gestação exige diagnóstico diferencial rápido entre placenta prévia, descolamento prematuro de placenta (DPP) e rotura uterina. A placenta prévia manifesta-se tipicamente como sangramento indolor, de início súbito e recorrente, sem hipertonia uterina. O histórico de cesariana prévia aumenta significativamente o risco não apenas de placenta prévia, mas também de acretismo placentário. A confirmação diagnóstica é essencialmente ultrassonográfica, permitindo classificar a placenta como marginal ou oclusiva e planejar a via de parto e o momento da interrupção, se necessário, visando a segurança materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Qual o melhor exame para diagnosticar placenta prévia?

A ultrassonografia transvaginal é considerada o padrão-ouro, sendo mais precisa que a via abdominal para localizar a borda placentária em relação ao orifício interno do colo, com segurança comprovada desde que o transdutor não toque o colo.

Quais os principais fatores de risco para placenta prévia?

Cicatrizes uterinas prévias (como cesarianas), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo e gestações múltiplas são os principais fatores associados à implantação anômala da placenta.

Pode-se realizar toque vaginal na suspeita de placenta prévia?

Não. O toque vaginal é formalmente contraindicado até que a localização placentária seja confirmada por imagem, pois a manipulação digital pode causar descolamento parcial e hemorragia materna profusa.

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