UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Gestante de 35 semanas, tercigesta com 2 cesáreas anteriores, tabagista e hipertensa chega ao hospital com sangramento vaginal indolor há 1 hora. Refere outro episódio de sangramento há 1 mês. Ao exame físico: pressão arterial = 110 x 70 mm Hg, pulso = 100 bpm, descorada +2/+4, altura uterina = 33 cm, tônus uterino normal e batimento cardíaco fetal presente. Ultrassonografia obstétrica apresenta as imagens a seguir:Qual a hipótese diagnóstica?Qual a conduta obstétrica?
Sangramento vaginal indolor no 3º trimestre, com fatores de risco (cesárea prévia, tabagismo) e USG sugestiva → Placenta Prévia.
O quadro clínico de sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre em uma gestante com fatores de risco como cesáreas anteriores e tabagismo é altamente sugestivo de placenta prévia. A ultrassonografia é o método diagnóstico definitivo, e a conduta dependerá da estabilidade hemodinâmica materna e fetal, mas geralmente envolve monitoramento e planejamento de parto cesáreo.
A placenta prévia é uma condição obstétrica grave caracterizada pela implantação da placenta total ou parcialmente sobre o orifício interno do colo uterino, após 28 semanas de gestação. É uma das principais causas de sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre, com uma incidência que varia de 0,3% a 0,5% das gestações. A compreensão de seus fatores de risco, diagnóstico e manejo é crucial para a segurança materno-fetal. Os fatores de risco incluem cesáreas anteriores (o risco aumenta com o número de cesáreas), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, curetagem uterina prévia e gestação múltipla. O quadro clínico clássico é o sangramento vaginal vermelho vivo, indolor, que pode ser intermitente e recorrente. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia, preferencialmente transvaginal, que permite a localização precisa da placenta em relação ao colo. A conduta na placenta prévia depende da idade gestacional, da quantidade de sangramento e da condição materno-fetal. Em casos de sangramento leve e gestação pré-termo, o manejo pode ser expectante, com repouso, monitoramento e corticoide para maturação pulmonar fetal. No entanto, em sangramentos intensos ou gestação a termo, o parto cesáreo é a via de escolha para evitar complicações hemorrágicas graves para a mãe e o feto. O toque vaginal é contraindicado em casos de sangramento no terceiro trimestre antes da exclusão de placenta prévia.
Os principais fatores de risco incluem cesárea anterior (especialmente múltiplas), multiparidade, idade materna avançada, tabagismo, uso de cocaína, curetagem uterina prévia e gestação múltipla.
A ultrassonografia transvaginal é o método de escolha para o diagnóstico, visualizando a implantação da placenta sobre ou muito próxima ao orifício interno do colo uterino.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica materna, monitoramento fetal, internação hospitalar, abstinência sexual e, dependendo da idade gestacional e da gravidade do sangramento, pode incluir corticoide para maturação pulmonar fetal e planejamento de parto cesáreo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo