Placenta Prévia: Diagnóstico e Conduta Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Luciana, 33 anos, G3P2 (duas cesáreas prévias), com 33 semanas e 2 dias de gestação, procura a maternidade por episódio de sangramento vaginal de início súbito, vermelho vivo e em moderada quantidade há cerca de 1 hora. Refere que não sente dores abdominais e que a movimentação fetal está normal. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada, com pressão arterial de 115 x 75 mmHg e frequência cardíaca de 82 bpm. O exame abdominal revela útero com tônus normal, indolor à palpação, altura uterina de 31 cm e batimentos cardíacos fetais de 148 bpm, sem dinâmica uterina presente. O exame especular evidencia sangramento ativo em pequena quantidade pelo orifício externo do colo uterino. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta inicial mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Realizar ultrassonografia transvaginal para mapeamento da localização placentária.
  2. B) Indicar interrupção imediata da gestação por via abdominal devido ao risco de choque.
  3. C) Proceder com a amniotomia imediata para reduzir a pressão intrauterina e o sangramento.
  4. D) Realizar o toque vaginal para avaliar a dilatação e a presença de partes fetais.

Pérola Clínica

Sangramento indolor + útero normotônico + BCF normal = Placenta Prévia. Toque vaginal proibido!

Resumo-Chave

O quadro clínico de sangramento vermelho vivo, indolor e sem hipertonia uterina é patognomônico de placenta prévia; a confirmação exige USG, preferencialmente transvaginal.

Contexto Educacional

A placenta prévia ocorre quando a placenta se implanta no segmento inferior do útero, cobrindo total ou parcialmente o orifício interno do colo. É uma das principais causas de hemorragia na segunda metade da gestação. Fatores de risco incluem cesáreas prévias, como no caso da paciente. O manejo depende da estabilidade hemodinâmica e da idade gestacional. Em pacientes estáveis e prematuras, a conduta costuma ser expectante após a confirmação diagnóstica por imagem, visando a maturidade fetal.

Perguntas Frequentes

Por que a USG transvaginal é preferível à abdominal?

A ultrassonografia transvaginal é o padrão-ouro para o diagnóstico de placenta prévia. Ela permite uma visualização muito mais precisa da distância entre a borda placentária e o orifício interno do colo uterino (OI). Diferente do mito comum, a USG transvaginal é segura e não aumenta o risco de sangramento, pois o transdutor não toca o colo uterino, permanecendo no fórnice vaginal.

Quais os principais diagnósticos diferenciais desse quadro?

O principal diferencial é o Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). No entanto, o DPP costuma apresentar dor abdominal intensa, hipertonia uterina ('útero de madeira') e sofrimento fetal agudo, o que contrasta com o quadro de Luciana (indolor, tônus normal e BCF normal). Outros diferenciais incluem rotura de vasa prévia e rotura uterina.

Quando indicar a interrupção imediata na placenta prévia?

A interrupção imediata (geralmente por cesárea) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica materna grave, sofrimento fetal agudo ou sangramento profuso que não cessa com medidas conservadoras. No caso apresentado, a paciente está estável e o feto tem boa vitalidade, permitindo a investigação diagnóstica.

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