PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019
A análise e classificação dos óbitos maternos representam importantes indicadores epidemiológicos para avaliação da qualidade dos cuidados prestados na saúde da mulher. Você está trabalhando em uma equipe de saúde da família e participando de uma discussão de um caso de um óbito de uma gestante de sua área de abrangência. Consta que a mulher tinha 26 anos, estava na terceira gravidez e tinha dois filhos nascidos de parto cesariana, sendo o último parto há 3 anos. Durante o pré-natal a gestante foi classificada como de baixo risco. Com 39 semanas foi encaminhada para cesariana iterativa e durante a cirurgia evoluiu com choque hipovolêmico irreversível devido a placenta anterior atingindo a serosa uterina no local da histerotomia. Assinale a alternativa CORRETA para a causa básica da morte materna e a classificação do óbito materno.
Placenta atingindo serosa uterina = percreta. Morte por complicação obstétrica direta = óbito materno direto.
A placenta percreta é a forma mais grave de acretismo placentário, onde as vilosidades invadem a serosa uterina ou órgãos adjacentes, causando hemorragia maciça. A morte resultante de tal complicação obstétrica é classificada como óbito materno direto, um importante indicador de qualidade da assistência.
O acretismo placentário, que inclui placenta acreta, increta e percreta, é uma condição grave caracterizada pela aderência anormal da placenta à parede uterina. A placenta percreta, a forma mais severa, ocorre quando as vilosidades coriais invadem a serosa uterina e podem atingir órgãos adjacentes, como a bexiga. A principal causa e fator de risco para o acretismo é a presença de placenta prévia em mulheres com história de cesariana prévia, devido à cicatrização uterina que compromete a decídua basal. As complicações do acretismo placentário são potencialmente fatais, sendo a hemorragia maciça a mais comum e grave, frequentemente levando a choque hipovolêmico e necessidade de histerectomia de emergência. O diagnóstico pré-natal por ultrassonografia e ressonância magnética é crucial para o planejamento do parto em centros especializados. A morte materna resultante de uma complicação obstétrica direta, como a hemorragia por placenta percreta, é classificada como óbito materno direto. A análise e classificação dos óbitos maternos são indicadores epidemiológicos fundamentais para avaliar a qualidade da assistência à saúde da mulher e identificar áreas para melhoria. A prevenção do acretismo envolve a redução de cesarianas desnecessárias, e o manejo de casos diagnosticados requer uma equipe multidisciplinar experiente para otimizar os resultados maternos e fetais, minimizando os riscos de hemorragia e suas consequências.
Os graus de acretismo placentário são: placenta acreta (vilosidades aderem ao miométrio sem invadir), placenta increta (vilosidades invadem o miométrio) e placenta percreta (vilosidades penetram toda a espessura do miométrio, atingindo ou invadindo a serosa uterina ou órgãos adjacentes).
O principal fator de risco para o acretismo placentário é a placenta prévia em mulheres com história de cesariana prévia. O número de cesarianas aumenta exponencialmente o risco, devido à presença de cicatrizes uterinas que facilitam a invasão trofoblástica.
O óbito materno é classificado como direto (causado por complicações obstétricas), indireto (causado por doença preexistente agravada pela gravidez) ou não relacionado. Essa classificação é vital para a vigilância epidemiológica e para direcionar políticas de saúde visando a redução da mortalidade materna.
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