UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Adolescente de 11 anos de idade é encaminhada ao ambulatório de nefrologia pediátrica por apresentar piúria persistentemente presente em exames de urina realizados de forma correta, com uroculturas negativas, associada à febre baixa. A causa provável para esse caso é
Piúria estéril + urocultura negativa + febre baixa persistente em adolescente = suspeitar Tuberculose Renal.
A piúria estéril, definida pela presença de leucócitos na urina sem crescimento bacteriano em uroculturas de rotina, é um sinal importante que exige investigação. Em um adolescente com febre baixa persistente, a tuberculose renal é uma causa relevante e muitas vezes subdiagnosticada, que deve ser considerada no diagnóstico diferencial.
A piúria estéril, caracterizada pela presença de leucócitos na urina na ausência de crescimento bacteriano em uroculturas padrão, é um achado clínico que exige investigação aprofundada. Em adolescentes, especialmente quando associada a sintomas inespecíficos como febre baixa persistente, a tuberculose renal deve ser considerada no diagnóstico diferencial. A tuberculose geniturinária é a forma extrapulmonar mais comum da doença, com um período de latência que pode ser de anos após a infecção pulmonar primária. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis para os rins, onde forma granulomas. Inicialmente, a doença pode ser assintomática, mas com a progressão, pode levar à destruição do parênquima renal, estenoses ureterais e disfunção vesical. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas são inespecíficos e a urocultura padrão é negativa. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com histórico de exposição à tuberculose ou em áreas endêmicas. Exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada podem revelar alterações renais e ureterais. O diagnóstico definitivo requer a identificação do bacilo na urina, seja por cultura em meio específico (Lowenstein-Jensen) ou por testes moleculares como o PCR. O tratamento é com esquema polifarmacológico antituberculose, similar ao da tuberculose pulmonar, por um período prolongado (geralmente 6 a 9 meses). O prognóstico é bom se diagnosticado e tratado precocemente, mas atrasos podem levar a danos renais irreversíveis, como hidronefrose, insuficiência renal e hipertensão. A vigilância para complicações urológicas é essencial durante e após o tratamento.
Piúria estéril é a presença de leucócitos na urina com urocultura negativa. Suas causas incluem tuberculose renal, infecções por clamídia, uretrite não gonocócica, nefrite intersticial, uso de certos medicamentos e litíase renal.
O diagnóstico de tuberculose renal requer a detecção do Mycobacterium tuberculosis na urina, geralmente por cultura específica (meio de Lowenstein-Jensen) ou por métodos moleculares como PCR, além de exames de imagem que podem mostrar alterações renais.
A tuberculose renal causa piúria estéril porque o Mycobacterium tuberculosis não cresce em culturas de urina de rotina, que são projetadas para bactérias comuns. A inflamação granulomatosa no trato urinário leva à presença de leucócitos.
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