SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Em uma criança de 12 anos, observa-se placas hipocrômicas, discretamente escamosas, com leve prurido no tronco, que tendem a agrupar-se mais em dias de calor ou com transpiração acentuada. O diagnóstico clínico mais provável é de pitiríase versicolor. Considerando esse diagnóstico, qual das seguintes afirmações NÃO está de acordo com as características epidemiológicas, diagnósticas ou terapêuticas esperadas dessas micoses superficiais?
Pitiríase versicolor: diagnóstico clínico + micológico direto (espaguete com almôndegas); cultura é desnecessária.
A pitiríase versicolor é causada por leveduras lipofílicas do gênero Malassezia. O diagnóstico é eminentemente clínico e confirmado pelo exame direto, sendo a cultura dispensável na prática rotineira.
A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica superficial comum, causada por leveduras do gênero Malassezia, que fazem parte da microbiota normal da pele. A patogênese envolve a conversão da forma de levedura para a forma micelial sob condições favoráveis, como calor e umidade. Clinicamente, manifesta-se por máculas ou placas com descamação fina (furfurácea), evidenciada pelo sinal de Zileri (estiramento da pele). O tratamento geralmente é tópico com antifúngicos azólicos ou sulfeto de selênio, reservando-se o tratamento sistêmico para casos extensos ou recorrentes. É fundamental orientar o paciente sobre a possibilidade de persistência das manchas hipocrômicas mesmo após a cura micológica, pois a repigmentação depende da exposição solar gradual.
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na morfologia das lesões (placas hipo ou hipercromáticas descamativas) e sinais como o de Zileri. Quando necessário, o exame micológico direto com hidróxido de potássio (KOH) revela a imagem clássica de 'espaguete com almôndegas' (pseudo-hifas curtas e agrupamentos de leveduras). A cultura não é realizada rotineiramente devido à natureza lipofílica do fungo, que exige meios específicos com adição de ácidos graxos, tornando-a pouco prática e desnecessária para a conduta terapêutica.
Os fatores predisponentes incluem condições que favorecem a proliferação da Malassezia, como climas quentes e úmidos, sudorese excessiva (hiperidrose), pele oleosa, uso de corticoides sistêmicos ou tópicos, imunossupressão e desnutrição. Esses fatores alteram o microambiente cutâneo, permitindo que o fungo comensal passe para a forma patogênica filamentosa.
O termo 'versicolor' refere-se à capacidade das lesões de apresentarem diferentes tonalidades. Elas podem ser hipopigmentadas (devido à produção de ácido azelaico pelo fungo, que inibe a melanogênese), hiperpigmentadas (acastanhadas) ou eritematosas. Essa variação depende da cor da pele do paciente e da resposta inflamatória local.
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