Pitiríase Versicolor: Diagnóstico e Conduta Clínica

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Em uma criança de 12 anos, observa-se placas hipocrômicas, discretamente escamosas, com leve prurido no tronco, que tendem a agrupar-se mais em dias de calor ou com transpiração acentuada. O diagnóstico clínico mais provável é de pitiríase versicolor. Considerando esse diagnóstico, qual das seguintes afirmações NÃO está de acordo com as características epidemiológicas, diagnósticas ou terapêuticas esperadas dessas micoses superficiais?

Alternativas

  1. A) Os fatores de risco incluem temperaturas quentes, alta umidade, imunossupressão, má nutrição, pele oleosa, excesso de suor e uso de corticosteroides.
  2. B) No exame micológico direto, pode-se identificar pseudo-hifas e leveduras.
  3. C) A cultura do fungo em meio comum de dermatófitos é sempre necessária para confirmar o diagnóstico.
  4. D) A denominação “versicolor” provém da variedade de cores que as lesões podem assumir, como hipopigmentadas, acastanhadas ou eritematosas.
  5. E) Recorrências são comuns, exigindo frequentemente medidas preventivas de higiene e controle de fatores predisponentes.

Pérola Clínica

Pitiríase versicolor: diagnóstico clínico + micológico direto (espaguete com almôndegas); cultura é desnecessária.

Resumo-Chave

A pitiríase versicolor é causada por leveduras lipofílicas do gênero Malassezia. O diagnóstico é eminentemente clínico e confirmado pelo exame direto, sendo a cultura dispensável na prática rotineira.

Contexto Educacional

A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica superficial comum, causada por leveduras do gênero Malassezia, que fazem parte da microbiota normal da pele. A patogênese envolve a conversão da forma de levedura para a forma micelial sob condições favoráveis, como calor e umidade. Clinicamente, manifesta-se por máculas ou placas com descamação fina (furfurácea), evidenciada pelo sinal de Zileri (estiramento da pele). O tratamento geralmente é tópico com antifúngicos azólicos ou sulfeto de selênio, reservando-se o tratamento sistêmico para casos extensos ou recorrentes. É fundamental orientar o paciente sobre a possibilidade de persistência das manchas hipocrômicas mesmo após a cura micológica, pois a repigmentação depende da exposição solar gradual.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico da pitiríase versicolor?

O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na morfologia das lesões (placas hipo ou hipercromáticas descamativas) e sinais como o de Zileri. Quando necessário, o exame micológico direto com hidróxido de potássio (KOH) revela a imagem clássica de 'espaguete com almôndegas' (pseudo-hifas curtas e agrupamentos de leveduras). A cultura não é realizada rotineiramente devido à natureza lipofílica do fungo, que exige meios específicos com adição de ácidos graxos, tornando-a pouco prática e desnecessária para a conduta terapêutica.

Quais são os principais fatores de risco?

Os fatores predisponentes incluem condições que favorecem a proliferação da Malassezia, como climas quentes e úmidos, sudorese excessiva (hiperidrose), pele oleosa, uso de corticoides sistêmicos ou tópicos, imunossupressão e desnutrição. Esses fatores alteram o microambiente cutâneo, permitindo que o fungo comensal passe para a forma patogênica filamentosa.

Por que a doença é chamada de 'versicolor'?

O termo 'versicolor' refere-se à capacidade das lesões de apresentarem diferentes tonalidades. Elas podem ser hipopigmentadas (devido à produção de ácido azelaico pelo fungo, que inibe a melanogênese), hiperpigmentadas (acastanhadas) ou eritematosas. Essa variação depende da cor da pele do paciente e da resposta inflamatória local.

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