UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 72a, nulípara, procura atendimento com queixa de dor em baixo ventre há duas semanas, com piora progressiva e saída de corrimento fétido por via vaginal. Há dois dias apresenta febre e queda do estado geral. Exame físico: regular estado geral; emagrecida; descorada+/4+; anictérica; FC=86bpm; PA=112x74mmHg; T=37,5°C; FR=18irpm; perfusão periférica<2segundos. Abdome: doloroso à palpação de hipogastro. Exame ginecológico: vulva e vagina atróficas com conteúdo vaginal amarelo, espesso e de odor fétido. Colo uterino: aspecto normal com saída de secreção semelhante pelo orifício externo. Toque vaginal: útero aumentado para 10 semanas, doloroso à mobilização. Ultrassonografia pélvica: colo uterino normal, útero aumentado (volume=180cm³), com conteúdo heterogêneo, hipervascularizado, sem plano de clivagem com o miométrio, apresentando áreas hiperecogênicas e com sombras acústicas de permeio sugestivas de gás, linha endometrial de 12mm. Ovários não visibilizados. ALÉM DO TRATAMENTO PARA O QUADRO INFECCIOSO, A PRINCIPAL DOENÇA ASSOCIADA A SER INVESTIGADA É:
Piometra em idosa = investigar malignidade subjacente (câncer de endométrio/colo) por estenose cervical.
A paciente apresenta um quadro clínico e ultrassonográfico altamente sugestivo de piometra (acúmulo de pus no útero) em uma mulher idosa pós-menopausa. A piometra nessa faixa etária é frequentemente secundária a uma obstrução do canal cervical, que, por sua vez, é comumente causada por uma neoplasia maligna subjacente, como câncer de endométrio ou de colo uterino. Portanto, a investigação para malignidade é prioritária.
A piometra, definida como o acúmulo de material purulento na cavidade uterina, é uma condição que, embora rara, merece atenção especial em mulheres pós-menopausa. Nesses casos, a atrofia vaginal e cervical, juntamente com a diminuição da imunidade local, predispõem a infecções. No entanto, a principal preocupação é a associação com malignidades ginecológicas, que podem causar estenose do canal cervical e, consequentemente, a retenção de secreções e infecção. A fisiopatologia da piometra em idosas frequentemente envolve uma obstrução mecânica do orifício cervical interno, impedindo a drenagem de fluidos uterinos. Essa obstrução pode ser causada por tumores malignos (câncer de endométrio, câncer de colo uterino), pólipos, miomas submucosos, ou estenose benigna pós-radioterapia ou cirurgia. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por dor pélvica, corrimento fétido e febre, e confirmado por ultrassonografia que mostra útero aumentado com conteúdo heterogêneo e, por vezes, gás. O tratamento inicial da piometra consiste na drenagem do pus (geralmente por dilatação cervical) e antibioticoterapia. Contudo, a investigação etiológica é crucial. Após o controle da infecção aguda, é imperativo realizar uma avaliação completa do útero e colo, incluindo histeroscopia com biópsia endometrial e/ou colposcopia, para descartar a presença de neoplasias malignas. A falha em investigar a causa subjacente pode levar a um atraso no diagnóstico e tratamento de um câncer.
Piometra é o acúmulo de pus na cavidade uterina. Em mulheres pós-menopausa, os sintomas podem ser inespecíficos, como dor pélvica, corrimento vaginal fétido, febre e mal-estar geral. Em alguns casos, pode haver pouca ou nenhuma secreção vaginal se a estenose cervical for completa.
Em mulheres pós-menopausa, a piometra é frequentemente causada por uma obstrução do canal cervical, que impede a drenagem normal de fluidos e favorece a infecção. A causa mais comum dessa obstrução é uma neoplasia maligna, como o câncer de endométrio ou de colo uterino. Portanto, a piometra é um sinal de alerta para malignidade subjacente.
Além do tratamento da infecção, a investigação deve incluir ultrassonografia pélvica (já realizada no caso), biópsia endometrial (histeroscopia com biópsia ou curetagem) para descartar câncer de endométrio, e avaliação do colo uterino (colposcopia com biópsia, se necessário) para descartar câncer cervical. Exames de imagem adicionais podem ser necessários para estadiamento.
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