Pielonefrite por ESBL: Escolha da Terapia Empírica

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Letícia, 68 anos, portadora de Diabetes Mellitus tipo 2 e Doença Renal Crônica estágio 3a (taxa de filtração glomerular estimada de 48 mL/min/1,73m²), reside em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). A paciente possui histórico de internação hospitalar há 45 dias para tratamento de pneumonia aspirativa, ocasião em que fez uso de ceftriaxona e clindamicina por 10 dias. Há três meses, apresentou episódio de infecção do trato urinário por Escherichia coli produtora de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL), tratada ambulatorialmente com sucesso. Atualmente, é levada ao pronto-socorro com quadro de prostração, inapetência, febre aferida de 38,5°C e dor à palpação profunda em flanco esquerdo, iniciados há 24 horas. Ao exame físico: lúcida, orientada, hipocorada (+/4+), desidratada (+/4+), frequência cardíaca de 98 bpm, pressão arterial de 115/75 mmHg e sinal de Giordano positivo à esquerda. Exames laboratoriais iniciais mostram leucocitose de 14.200/mm³ com 8% de bastões e sedimento urinário com piúria maciça, nitrito positivo e presença de raros cilindros leucocitários. Diante do histórico microbiológico da paciente e do cenário clínico atual, qual a conduta terapêutica empírica inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever Ceftriaxona 2g, via intravenosa, a cada 24 horas.
  2. B) Administrar Ciprofloxacina 400mg, via intravenosa, a cada 12 horas.
  3. C) Prescrever Nitrofurantoína 100mg, via oral, a cada 6 horas.
  4. D) Iniciar Ertapenem 1g, via intravenosa, a cada 24 horas.

Pérola Clínica

História de ESBL nos últimos 3-6 meses → Carbapenêmico (Ertapenem) como terapia empírica.

Resumo-Chave

Pacientes com fatores de risco para germes multirresistentes (ESBL prévio, residência em ILPI, uso recente de antibióticos) e sinais de pielonefrite devem ser tratados empiricamente com carbapenêmicos.

Contexto Educacional

O manejo de infecções do trato urinário (ITU) em idosos frágeis e institucionalizados exige uma análise criteriosa do perfil microbiológico local e individual. A presença de febre, dor em flanco (Giordano positivo) e cilindros leucocitários confirma o diagnóstico de pielonefrite. A história recente de pneumonia tratada com ceftriaxona e o isolamento prévio de E. coli ESBL são preditores robustos de resistência aos beta-lactâmicos comuns. As bactérias ESBL hidrolisam penicilinas, cefalosporinas (incluindo a ceftriaxona) e aztreonam. O tratamento de escolha para infecções graves ou complicadas por esses patógenos são os carbapenêmicos. O Ertapenem destaca-se no cenário ambulatorial ou de transição de cuidados por possuir meia-vida longa, permitindo a administração uma vez ao dia, sem perder a eficácia contra a maioria das enterobactérias multirresistentes, exceto Pseudomonas e Acinetobacter.

Perguntas Frequentes

Por que o Ertapenem é indicado neste caso?

O Ertapenem é um carbapenêmico com excelente cobertura contra enterobactérias produtoras de ESBL (Extended-Spectrum Beta-Lactamase). Como a paciente teve uma infecção por E. coli ESBL há apenas 3 meses e reside em uma ILPI, o risco de recorrência pelo mesmo germe ou outro multirresistente é altíssimo, tornando cefalosporinas e quinolonas opções pouco confiáveis.

Quais os principais fatores de risco para infecções por ESBL?

Os principais fatores incluem: uso prévio de antibióticos (especialmente cefalosporinas de 3ª geração e quinolonas) nos últimos 90 dias, hospitalização recente, residência em Instituições de Longa Permanência (ILPI), presença de cateteres urinários e histórico anterior de colonização ou infecção por germes ESBL.

A Nitrofurantoína poderia ser usada nesta paciente?

Não. A Nitrofurantoína é um antisséptico urinário que atinge concentrações terapêuticas apenas na bexiga, sendo indicada exclusivamente para cistites não complicadas. Em quadros de pielonefrite (infecção do parênquima renal), ela é ineficaz pois não atinge níveis teciduais ou sistêmicos adequados.

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