Litíase Ureteral Complicada: Manejo da Urosepse Obstrutiva

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015

Enunciado

Paciente com litíase ureteral à direita apresentou cólica nefrética intensa, febre, leucocitose com desvio à esquerda, frequência cardíaca de 110 bpm e frequência respiratória de 28 irpm. A urotomografia mostrou um cálculo em terço superior de ureter de 1,1 cm, hidronefrose concomitante e borramento da gordura perirrenal. Podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) É um cálculo pequeno que ainda se encontra em terço superior e pode descer e ser eliminado. Não há necessidade de procedimento operatório algum.
  2. B) Paciente em risco de sepse, há necessidade de desobstruir as vias urinárias para controle do quadro infeccioso além da antibioticoterapia.
  3. C) Apesar de o cálculo ser grande, o tratamento clínico se faz necessário como melhor opção e antibioticoterapia venosa por 7 dias para controlar o quadro infeccioso antes do tratamento operatório.
  4. D) Somente há necessidade de tratamento clínico.

Pérola Clínica

Litíase ureteral + febre + sinais sistêmicos de inflamação → Urosepse obstrutiva → Desobstrução urinária de emergência + ATB.

Resumo-Chave

A presença de febre, leucocitose e sinais de resposta inflamatória sistêmica (taquicardia, taquipneia) em um paciente com litíase ureteral e hidronefrose indica pielonefrite obstrutiva, uma condição de emergência urológica com alto risco de sepse. A conduta essencial é a desobstrução urinária imediata, além da antibioticoterapia.

Contexto Educacional

A litíase ureteral é uma condição comum que pode causar cólica nefrética intensa. No entanto, quando associada a sinais de infecção sistêmica, como febre, taquicardia, taquipneia e leucocitose com desvio à esquerda, configura uma emergência urológica conhecida como pielonefrite obstrutiva ou urosepse obstrutiva. A hidronefrose e o borramento da gordura perirrenal na urotomografia confirmam a obstrução e a inflamação renal. Nesses casos, a urina acima da obstrução está infectada e sob pressão, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana e a translocação para a corrente sanguínea, levando à sepse. O tratamento não pode ser apenas clínico com antibióticos, pois a fonte da infecção (urina estagnada e infectada) precisa ser drenada. A conduta prioritária é a desobstrução urinária de emergência, que pode ser realizada por meio da inserção de um cateter duplo J (stent ureteral) via ureteroscopia ou pela colocação de uma nefrostomia percutânea. Concomitantemente, deve-se iniciar antibioticoterapia de amplo espectro, ajustada posteriormente conforme cultura e antibiograma. O atraso na desobstrução pode levar a choque séptico e falência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta que indicam uma litíase ureteral complicada com risco de sepse?

Sinais de alerta incluem febre, calafrios, taquicardia, taquipneia, hipotensão, leucocitose com desvio à esquerda e evidência de obstrução urinária (hidronefrose) em exames de imagem.

Qual a importância da desobstrução urinária de emergência na pielonefrite obstrutiva?

A desobstrução urinária (por cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) é vital para drenar a urina infectada e aliviar a pressão no rim, controlando o foco infeccioso e prevenindo a progressão para sepse grave.

Quais são as opções para desobstruir as vias urinárias em uma emergência?

As principais opções são a passagem de um cateter duplo J por via endoscópica (ureteroscopia) ou a realização de uma nefrostomia percutânea, que é a inserção de um cateter diretamente no rim através da pele.

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