Choque Séptico por Urosepse: Manejo da Obstrução Urinária

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 64 anos, pesando 60 kg, sem comorbidades prévias, é admitida à sala de emergência com febre de 38,7 ºC, dor lombar direita e disúria há 3 dias. Na entrada, apresentava FC = 120 bpm, FR = 28 irpm, PA=74x40 mmHg. Após coleta de exames, introdução de ceftriaxona e administração de 2 litros de Ringer Lactato, a paciente segue com PA de 78 x 44 mmHg. Exames laboratoriais iniciais revelam leucocitose de 18.000/μL (VR: 4.000 – 11.000/μL) e creatinina de 2,6 mg/dL (VR: 0,6 – 1,2 mg/dL). Assinale a alternativa que apresenta uma das condutas apropriadas para esse momento.

Alternativas

  1. A) Utilizar hidrocortisona para tratamento adjuvante do choque séptico.
  2. B) Infundir mais 1 litro de Ringer Lactato e solicitar prioridade de transferência à UTI para início de drogas vasoativas.
  3. C) Realizar ultrassonografia à beira-leito para avaliar obstrução de vias urinárias.
  4. D) Ampliar a terapia antimicrobiana para meropenem.

Pérola Clínica

Choque séptico com urosepse e disfunção renal aguda → Investigar obstrução urinária URGENTE.

Resumo-Chave

Em pacientes com choque séptico de foco urinário e disfunção renal aguda, a persistência da hipotensão após fluidos e antibióticos deve levantar a suspeita de obstrução do trato urinário. A desobstrução é crucial para a resolução do quadro e deve ser investigada rapidamente com ultrassonografia.

Contexto Educacional

A pielonefrite obstrutiva é uma condição grave que pode rapidamente progredir para urosepse e choque séptico, especialmente em pacientes idosos ou imunocomprometidos. Caracteriza-se por uma infecção do trato urinário superior associada a uma obstrução que impede a drenagem da urina, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana e a disseminação sistêmica da infecção. A rápida identificação e intervenção são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade. A fisiopatologia envolve a estase urinária acima do ponto de obstrução, que favorece o crescimento bacteriano e a formação de abscessos. A pressão intrapélvica aumentada pode levar à ruptura dos fórnices e à passagem de bactérias para a corrente sanguínea, desencadeando a resposta inflamatória sistêmica da sepse. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por febre, dor lombar, disúria e sinais de sepse, e confirmado por exames de imagem que evidenciam hidronefrose. A disfunção renal aguda é um achado comum e um marcador de gravidade. O tratamento inicial da urosepse inclui estabilização hemodinâmica com fluidos, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e, fundamentalmente, a desobstrução do trato urinário. A ultrassonografia à beira-leito é a primeira linha para avaliar hidronefrose. Se confirmada a obstrução, a drenagem pode ser realizada por cateter duplo J ou nefrostomia percutânea. A falha em desobstruir o trato urinário pode levar à persistência do choque e à falha de múltiplos órgãos, mesmo com antibióticos e vasopressores.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para pielonefrite obstrutiva em um paciente com sepse?

Sinais de alerta incluem dor lombar intensa, febre, disúria, leucocitose e, principalmente, disfunção renal aguda (aumento da creatinina) e hipotensão refratária ao tratamento inicial.

Por que a ultrassonografia é a conduta inicial apropriada nesse cenário?

A ultrassonografia à beira-leito é um método rápido e não invasivo para identificar hidronefrose, que sugere obstrução do trato urinário. A desobstrução é fundamental para o controle da infecção e melhora do choque.

Quais são as principais causas de obstrução urinária que podem levar a urosepse?

As causas mais comuns incluem litíase urinária (cálculos renais ou ureterais), estenoses ureterais, tumores pélvicos ou retroperitoneais e hiperplasia prostática benigna em homens.

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