Urosepse por Cálculo Ureteral: Drenagem de Urgência

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 48 anos, da entrada no pronto socorro com dor lombar a direita tipo cólica que irradia para flanco direito e grandes lábios, com início há 5 dias, associado com episódios de hematúria, apresenta péssimo estado geral, estando hipocorada, sudoreica, febril com temperatura axilar de 39,50. PA 110 x 75 mmhg e FC 110 bbp e Leucocitose de 29 mil. TC evidenciou cálculo de 8 mm em ureter proximal direito. Além da instituição de antibioticoterapia, hidratação e analgesia, outra conduta que deve ser realizada é:

Alternativas

  1. A) drenagem da via urinaria com cateter duplo J sem a retirada do cálculo ureteral.
  2. B) realização da terapia expulsiva medicamentosa com tansulosina.
  3. C) realização de litotripsia extracorpórea.
  4. D) realização de ureterolitotripsia endoscópica e colocação de duplo j.
  5. E) observação clínica por 72horas para aguardar melhora clínica e submetê-la a procedimento cirúrgico.

Pérola Clínica

Cálculo ureteral obstrutivo + febre/septicemia → Drenagem urinária de urgência (cateter duplo J ou nefrostomia).

Resumo-Chave

A presença de febre, leucocitose e mau estado geral em paciente com cálculo ureteral obstrutivo indica pielonefrite obstrutiva ou urosepse, uma emergência urológica. Nesses casos, a prioridade é a drenagem imediata da via urinária (com cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) para aliviar a obstrução e permitir o controle da infecção, antes da remoção definitiva do cálculo.

Contexto Educacional

A presença de um cálculo ureteral obstrutivo, especialmente quando associado a sinais de infecção sistêmica como febre, taquicardia, hipotensão e leucocitose elevada, configura uma emergência urológica conhecida como pielonefrite obstrutiva ou urosepse. Nesses casos, a urina retida acima da obstrução torna-se um meio de cultura para bactérias, levando a uma rápida progressão para sepse e choque séptico, com risco de vida. A conduta inicial para esses pacientes, além da estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e analgesia, é a drenagem imediata da via urinária. O objetivo não é a remoção do cálculo neste primeiro momento, mas sim aliviar a obstrução e permitir o fluxo da urina infectada, despressurizando o sistema coletor renal. As duas principais modalidades de drenagem são a colocação de um cateter duplo J por via ureteroscópica ou a realização de uma nefrostomia percutânea. A escolha entre cateter duplo J e nefrostomia depende da experiência do serviço, da localização do cálculo e das condições clínicas do paciente. Após a drenagem e controle da infecção, o paciente pode ser submetido a um procedimento definitivo para a remoção do cálculo (como ureterolitotripsia ou litotripsia extracorpórea) em um segundo momento, quando estiver clinicamente estável. A falha em drenar a via urinária rapidamente pode levar a complicações graves, incluindo insuficiência renal e morte.

Perguntas Frequentes

Por que a drenagem urinária é uma emergência em casos de cálculo obstrutivo com febre?

A febre em um paciente com cálculo obstrutivo indica uma pielonefrite obstrutiva, onde a urina infectada está retida acima da obstrução, podendo levar rapidamente à urosepse e choque séptico. A drenagem alivia a pressão e permite o fluxo da urina infectada.

Quais são as opções para a drenagem urinária de urgência em pielonefrite obstrutiva?

As principais opções são a colocação de um cateter duplo J por via ureteroscópica ou a realização de uma nefrostomia percutânea, que envolve a inserção de um cateter diretamente no rim através da pele.

Qual o papel dos antibióticos na pielonefrite obstrutiva?

Antibioticoterapia de amplo espectro é crucial para combater a infecção sistêmica, mas é ineficaz sem a desobstrução da via urinária. A drenagem permite que os antibióticos atinjam o foco da infecção e melhorem a resposta clínica.

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