INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher de 28 anos encontra-se internada em hospital de atenção secundária com quadro sugestivo de pielonefrite aguda, secundária à nefrolitíase impactada no ureter direito, confirmada por tomografia de abdome. A despeito da analgesia potente e do uso de bloqueador alfa1-adrenérgico, a paciente evoluiu muito sintomática, surgindo febre e calafrios no segundo dia de internação. Seus níveis pressóricos estão em torno de 70 mmHg de pressão arterial média (PAM), mas ela encontra-se febril e taquipneica. Há evidências de disfunção renal e respiratória no escore SOFA (Sepsis-related Organ Failure Assessment). Diante do quadro clínico apresentado, a medida terapêutica imediata é
Pielonefrite obstrutiva com sepse → descompressão ureteral imediata (cateter duplo J ou nefrostomia).
Em casos de pielonefrite obstrutiva complicada por sepse, a descompressão urgente do trato urinário superior é a medida mais crítica para controlar a fonte da infecção e prevenir a progressão do choque séptico, mesmo antes da estabilização hemodinâmica completa.
A pielonefrite obstrutiva é uma emergência urológica que pode rapidamente progredir para sepse e choque séptico. É crucial reconhecer a presença de obstrução do trato urinário superior (frequentemente por nefrolitíase) em pacientes com infecção urinária febril, pois a estase urinária favorece a proliferação bacteriana e a translocação para a corrente sanguínea. A identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para prevenir morbimortalidade. A fisiopatologia envolve a combinação de infecção bacteriana e obstrução, que leva ao aumento da pressão intraluminal, comprometimento da perfusão renal e disseminação sistêmica de toxinas. O diagnóstico é clínico (febre, dor lombar, calafrios) e confirmado por exames de imagem como a tomografia, que evidencia a obstrução e a dilatação do sistema coletor. A suspeita deve ser alta em pacientes com história de litíase renal ou outras causas de obstrução. O tratamento imediato na pielonefrite obstrutiva com sepse envolve a estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e, criticamente, a descompressão urgente do trato urinário. Esta pode ser realizada por cateter duplo J via cistoscopia ou por nefrostomia percutânea, visando restaurar o fluxo urinário e drenar o pus. A falha em descomprimir a obstrução pode levar à falência de múltiplos órgãos e morte, mesmo com uso de antibióticos e vasopressores.
Febre, dor lombar, calafrios, associados a sinais de sepse como hipotensão, taquipneia e disfunção orgânica em pacientes com obstrução urinária, são indicativos de complicação.
A descompressão remove a fonte de infecção e pressão, permitindo a drenagem da urina infectada e melhorando a resposta à antibioticoterapia e ao suporte hemodinâmico, sendo vital para o controle da sepse.
É indicada em casos de pielonefrite obstrutiva com sepse, insuficiência renal aguda, dor intratável ou falha na resposta ao tratamento clínico inicial, para evitar progressão do quadro.
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