Pielonefrite na Gravidez: Diagnóstico e Conduta Urgente

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Secundigesta, 28 semanas de idade gestacional, queixa-se de dor lombar há 2 dias, associada à febre e polaciúria. Refere ainda calafrios, náuseas e vômitos há 24 horas. Ao exame físico: temperatura axilar = 38,2ºC, dinâmica uterina ausente; Tônus uterino normal, BCF = 146 batimentos por minuto; toque vaginal: colo fechado, grosso e posterior; sinal de Giordano positivo a bilateralmente. A principal hipótese diagnóstica e conduta para este caso são:

Alternativas

  1. A) pielonefrite e prescrever nitrofurantoína via oral ambulatorialmente.
  2. B) nefrolitíase e preparar paciente para litotripsia.
  3. C) pielonefrite e internar com prescrição de ceftriaxona endovenosa.
  4. D) trabalho de parto prematuro e prescrever uterolítico.
  5. E) nefrolitíase e solicitar ultrassonografia de vias urinárias, não sendo necessário uso de antibiótico.

Pérola Clínica

Pielonefrite gestacional: febre, dor lombar, Giordano + → Internar, Ceftriaxona EV.

Resumo-Chave

Pielonefrite aguda na gravidez é uma condição grave que exige internação hospitalar e antibioticoterapia endovenosa, como ceftriaxona, devido ao alto risco de complicações maternas (sepse, trabalho de parto prematuro) e fetais.

Contexto Educacional

A pielonefrite aguda é a complicação infecciosa não obstétrica mais comum e grave na gravidez, ocorrendo em 1-2% das gestações. As alterações fisiológicas da gravidez, como a dilatação do trato urinário e a estase urinária, predispõem as gestantes a infecções ascendentes. A condição é caracterizada por febre, calafrios, dor lombar, náuseas, vômitos e sintomas urinários baixos, sendo o sinal de Giordano positivo um achado comum ao exame físico. A pielonefrite gestacional representa um risco significativo para a mãe (sepse, anemia, disfunção pulmonar) e para o feto (trabalho de parto prematuro, baixo peso ao nascer). O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico. Exames laboratoriais como hemograma, urocultura e exames de função renal são importantes para confirmar a infecção e avaliar a extensão do comprometimento. É crucial diferenciar de outras causas de dor abdominal ou febre na gravidez, como apendicite ou corioamnionite. A ausência de dinâmica uterina e o colo fechado ajudam a afastar o trabalho de parto prematuro como causa primária dos sintomas. A conduta para pielonefrite aguda na gravidez é sempre a internação hospitalar para monitoramento materno-fetal e início imediato de antibioticoterapia endovenosa. A ceftriaxona é uma excelente opção de primeira linha devido ao seu amplo espectro contra os patógenos urinários mais comuns (principalmente E. coli) e sua segurança na gravidez. Outras opções incluem ampicilina associada à gentamicina. Após a melhora clínica e afebrilidade por 24-48 horas, pode-se considerar a transição para antibiótico oral para completar o tratamento, seguido de profilaxia até o final da gestação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da pielonefrite na gravidez?

Os sintomas incluem febre, calafrios, dor lombar (geralmente unilateral), náuseas, vômitos, disúria, polaciúria e, ao exame físico, sinal de Giordano positivo.

Por que a pielonefrite na gravidez requer internação hospitalar?

A internação é necessária devido ao risco elevado de complicações maternas (sepse, anemia, insuficiência respiratória) e fetais (trabalho de parto prematuro, restrição de crescimento, morte fetal).

Qual o tratamento antibiótico de primeira linha para pielonefrite gestacional?

Antibióticos parenterais são a primeira escolha, como ceftriaxona (dose única diária) ou ampicilina + gentamicina, cobrindo os patógenos mais comuns, principalmente E. coli.

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